<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448</id><updated>2012-01-09T19:46:59.417-08:00</updated><title type='text'>Dimi's Sound &amp; Fury</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-2137813573164656913</id><published>2010-07-03T02:07:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T02:23:27.774-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TC8Af1-RBEI/AAAAAAAAADc/WU2P2pm5wkA/s1600/800px-Mosaic_museum_Istanbul_2007_011.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TC8Af1-RBEI/AAAAAAAAADc/WU2P2pm5wkA/s320/800px-Mosaic_museum_Istanbul_2007_011.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489607017852109890" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(Mosaico do assoalho do Grande Palácio de Constantinopla, que mostra alguns "venatores" lutando contra um tigre, séc. V d.C.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Brasil eliminado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tostão&lt;br /&gt;tostaocoluna@yahoo.com.br&lt;br /&gt;03/07/2010 02:00&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atualizada às: 03/07/2010 00:34&lt;br /&gt;O Brasil fez o melhor primeiro tempo e o pior segundo tempo da Copa. No primeiro, poderia ter feito mais de um gol. No segundo, quando perdia por 2 a 1, foi todo para frente, e a Holanda teve mais chances de fazer o terceiro, que o Brasil de empatar.&lt;br /&gt; O Brasil, que fez, durante os quatro anos sob o comando de Dunga, um grande numero de gols em jogadas aéreas, levou dois gols nesse tipo de lance.&lt;br /&gt;O Brasil, que procurou, durante quatro anos, um lateral-esquerdo, levou dois gols em jogadas que se iniciaram por esse setor.&lt;br /&gt;O Brasil, que sempre teve um armador pela direita para ajudar Maicon (Elano ou Daniel Alves), nunca teve um armador, pela esquerda, para ajudar Michel Bastos. Desse lado, começaram as duas jogadas dos gols.&lt;br /&gt;O Brasil, que tinha uma grande preocupação com as faltas violentas e as expulsões de Felipe Melo, teve o jogador expulso quando o time perdia e precisava reagir.&lt;br /&gt;O atleta de cristo Felipe Melo, que deu um excelente passe para o gol do Brasil, escreveu em seu Twitter, na véspera da partida: “O melhor de Deus ainda esta por vir. Creiam”. Deus não gosta de jogador violento.&lt;br /&gt;Foi uma repetição da Copa de 2006, quando o Brasil foi eliminado nas quartas de final para a França. Lembro que, na época, assisti à partida ao lado de Clóvis Rossi, perplexo com a atuação de Zidane. Dessa vez, não havia Zidane, mas tinha Sneijder e Robben. Não é só o Brasil que tem craques. Dunga disse, após o jogo, que trocou Luís Fabiano por Nilmar para aproveitar sua velocidade. No momento em que o Brasil perdia e tinha de pressionar e usar as jogadas aéreas, seria muito melhor um ótimo cabeceador que um velocista.&lt;br /&gt;As virtudes do Brasil, bastante conhecidas antes da partida, como o excelente contra-ataque, as jogadas aéreas, a qualidade de seu goleiro (falhou no gol) e de seus defensores, não acabaram por causa de uma derrota. As deficiências do Brasil, como a falta de mais talento na lateral esquerda e no meio-campo, e o despreparo emocional de Felipe Melo para disputar uma Copa, ficaram ainda mais evidentes.&lt;br /&gt;Como em 2006, o Brasil foi eliminado por um time do mesmo nível técnico. Não houve surpresa. Temos de valorizar o adversário. Precisamos terminar com nossa prepotência de achar que o Brasil é sempre melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resposta a Tostão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tostão, sou seu grande fã, mas não concordo. Não vi uma Holanda jogar melhor e ganhar do Brasil. Vi, sim, um Brasil fazer um gol contra, entrar em total pânico, bobear numa jogada de escanteio e desestruturar-se emocionalmente após a virada, coisa que ficou cristalizada na falta de qualquer bom senso de Felipe Melo. Mesmo assim, com o Brasil em frangalhos, a Holanda falhou em matar o jogo quando teve as chances, que não foram muitas. E ainda quase empatamos em dois escanteios seguidos de confusão na pequena área. É claro que não somos, a priori, melhores do que ninguém mas, de fato, o Brasil de ontem, visto o primeiro tempo do jogo, só perderia para ele mesmo, e foi o que aconteceu. É claro que, depois de certo ponto, o Dunga fez sua parte na derrota: havia convocado mal e não tinha grandes opções tácticas no banco, substituiu mal e não conseguiu transmitir aos jogadores a confiança necessária ao reequilíbrio na partida.&lt;br /&gt;Mas o Brasil tinha tudo para ganhar, e seguir ganhando. O que tem dado de errado? É importante ver o teor do discurso dos jogadores, olhos inchados, ao saírem do vestiário: "sofremos muito"; "ninguém sabe o que a gente passou"; "o grupo estava fechado". Etc. Estas frases, junto ao noticiário das últimas semanas, deixam claro o clima de perseguição a que estes jogadores e o próprio técnicos submeteram-se. E isso é devido a um tripé, na minha opinião: &lt;br /&gt;1. em primeiro lugar, à atitude do próprio Dunga, que não soube relacionar-se com a imprensa, entrando em conflito frontal e direto, gerando um clima de desconfiança mútua e sobrecarregando a equipe com uma pressão extra - pressão esta que , paradoxalmente, serviu para unir a equipe em torno do objetivo de provar que estavam certos, mas gerou a instabilidade emocional que aflorou ao primeiro momento de desvantagem.&lt;br /&gt;2. em segundo lugar, a própria imprensa, que não soube respeitar o trabalho de Dunga, mesmo discordando. Quase todas as perguntas ao técnico, desde a convocação, embutiam uma crítica velada às suas decisões e modo de atuar. O Brasil não tem jornalistas esportivos,  hoje em dia, mas sim críticos futebolísticos, digamos. Esta atitude denuncia, sim, um sentimento de que há um jeito brasileiro de entender e jogar o futebol, jeito este que seria superior, como você bem diagnosticou em seu texto; jeito do qual a crítica esportiva sente-se a porta-voz. &lt;br /&gt;3. O povo brasileiro deposita demasiadamente sua honra e auto estima nesta competição, também confiando no mito da eterna superioridade brasileira. A crença nesta superioridade tem suas justificativas: somos os maiores campeões da história, somos um país enorme com uma predileção acentuada pelo futebol, temos uma imensa população de meninos pobres que todos os anos abraça a carreira futebolística e gera novos craques. Mas, numa competição, a derrota é sempre uma possibilidade,  e isto não é desonra. O valor de uma nação não tem a ver com seu desempenho numa competição esportiva. A auto estima dos seus cidadãos não deveria depender do reconhecimento que o mundo demonstra em relação ao desempenho de atletas que nem mesmo atuam no país. Desonra, sim, seria não lutar com todas as suas forças.&lt;br /&gt;E neste ponto, meu ídolo Tostão, discordo novamente de você: não foi como em 2006. Em 2006 a seleção falhou em lutar. Em 2010, podemos ter todas as críticas possíveis em relação a esta seleção e a este técnico, mas não podemos acusá-los de não serem combativos.&lt;br /&gt;Enfim, não perdemos da Holanda, ontem, que não jogou quase nada, a meu ver. Perdemos de nós mesmos, apesar de não sermos imbatíveis. Enquanto não conseguirmos enxergar nossos limites e que somos humanos como todos os outros, corremos grandes riscos de continuarmos apanhando sem conseguir exercer nosso melhor desempenho. E nisso eu concordo com você: é prepotência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-2137813573164656913?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/2137813573164656913/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=2137813573164656913' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/2137813573164656913'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/2137813573164656913'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2010/07/tostao-brasil-eliminado-tostao.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TC8Af1-RBEI/AAAAAAAAADc/WU2P2pm5wkA/s72-c/800px-Mosaic_museum_Istanbul_2007_011.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-9221353392583682014</id><published>2010-06-26T02:37:00.000-07:00</published><updated>2010-06-26T05:10:47.800-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TCXKmPiIvXI/AAAAAAAAADM/KhAUpkOnoFc/s1600/192px-Prince_of_Wales00.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 192px; height: 290px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TCXKmPiIvXI/AAAAAAAAADM/KhAUpkOnoFc/s320/192px-Prince_of_Wales00.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487014479374368114" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(foto de Edward VII, ainda príncipe, encolhendo a barriga)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viagem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso de um tempo para introjetar, depois de muita jactância criativa. É como fumar um cigarro e conversar um pouco entre duas ejaculações.&lt;br /&gt;Há alguns dias atrás, era isso o que dizia Spike Jonzee no final de sua entrevista no Festival de Cannes. Uma oportunidade excepcional para justificar o silêncio desse blog nos últimos anos, com testemunhal de celebridade e tudo o mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baby, I’m back! (again)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou viajando há vinte dias e prometi fazer um diário. É claro que não fiz. Nunca consegui escrever diários, nem twitter consigo usar. Da viagem pela TAP, só lembro dos exuberantes bigodes das aeromoças, a essa altura. Mas vou tentar escrever algo de que me lembro dessa jornada de introspecção e autoconhecimento... um diário póstumo da viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei a Lisboa simultaneamente ao retorno da Joka de Berlin, onde finalizava a imagem do documentário “O Samba Que Mora Em Mim”, que dirigiu. Fiz a trilha e sou o supervisor de som. Estávamos em Lisboa para fazer a mixagem do longa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chego a uma cidade que não conheço, geralmente eu saio correndo pelas ruas, para ter uma primeira impressão não guiada. Era domingo e estava tudo meio parado, as férias européias ainda não haviam começado. Corri até o parque Eduardo VII, um ponto elevado da cidade, de onde você pode ter uma vista geral da parte histórica da cidade. Esse rei Eduardo VII da Inglaterra, que dá nome ao parque, era filho da Rainha Vitória, depois eu aprendi, coincidentemente, lendo uma revista super arrogante chamada “Inteligent Life”, que é um suplemento cultural de The Economist. Ele viveu muitos anos esperando a morte da mãe, que sobreviveu muito mais do que se esperava. As maiores realizações do seu curto reinado resumem-se em alguns pontos principais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. A popularização do uso do tweed, iniciado por ele no resort tcheco de Marienbad, uma espécie de Araxá européia, onde ele fazia terapias para os seus males renais e articulares.&lt;br /&gt;2. A popularização do uso de dinner jackets e gravatas pretas à noite, substituindo as casacas com cauda e gravatas brancas.&lt;br /&gt;3. O hábito de deixar o botão inferior do paletó desabotoado, que persiste até hoje, e é reputado à existência do seu fenomenal barrigão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, um rei que foi coroado aos 60 anos e morreu aos 69, levou uma vida hedonista e auto-indulgente como príncipe de Gales. Mas a personagem é boa. Imaginem sua mãe rainha Vitória, já cansada, sem poder confiar no filho devasso e pouco brilhante (nunca foi bem nos estudos). Imaginem sendo coroado, sob o olhar desaprovador dos conselheiros, seu reinado de 9 anos, ocupados na maior parte por visitas a resorts elegantes da Europa, sempre seguido por análogos de paparazzi que iam fotografando e desenhando tudo o que ele fazia ou usava. Os tratamentos com águas termais, águas sulfurosas, banhos de lama, os gerentes do Império percebendo as oportunidades para o envenenamento...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que mencionei Marienbad, outra coisa me chamou a atenção no artigo sobre o lugar: Goethe era um dos freqüentadores assíduos. No final de sua vida, apaixonou-se por uma moça 50 anos mais nova que ele, chamada Ulrike, que não lhe dava mais que condescendência. O velho babão - mesmo sendo Goethe, salivava como um português de padaria em cima da mulatinha empregada doméstica – era interessado em geologia, e ao jantar mostrava a Ulrike as pedrinhas que achava no mato, durante o dia. A menina bocejava inclemente, mesmo depois que Goethe aprendeu a esconder uns chocolates entre as pedras. Resultado: Ulrike não concedeu, digamos,  ao poeta, que escreveu um épico sombrio sobre sua desilusão amorosa e morreu alguns anos depois. Thomas Mann deve ter tirado daí seu “Morte em Veneza”!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas este artigo eu li num trem, entre Berlin e Hanau, semanas depois da minha corrida pelo parque Eduardo VII em Lisboa. A vista do lugar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TCXK7H2DbdI/AAAAAAAAADU/KbCKuApuwuc/s1600/parque+eduardo+7.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 75px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TCXK7H2DbdI/AAAAAAAAADU/KbCKuApuwuc/s320/parque+eduardo+7.png" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487014838087675346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois eu escrevo mais. Estou em Cannes, é sábado, o Danilo e o Mateus estão me chamando para uma excursão de queijos e vinhos. Estou me aproximando da realeza inglesa, belo menos quanto ao diâmetro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-9221353392583682014?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/9221353392583682014/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=9221353392583682014' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/9221353392583682014'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/9221353392583682014'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2010/06/viagem-e-preciso-de-um-tempo-para.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/TCXKmPiIvXI/AAAAAAAAADM/KhAUpkOnoFc/s72-c/192px-Prince_of_Wales00.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-8677927308641250972</id><published>2008-08-17T09:27:00.000-07:00</published><updated>2008-08-17T09:39:07.253-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/SKhT6BEfLvI/AAAAAAAAABw/MkWWGPN0GUY/s1600-h/The-Starry-Night-1889-Pre-made-Frame-C11718477.jpeg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/SKhT6BEfLvI/AAAAAAAAABw/MkWWGPN0GUY/s320/The-Starry-Night-1889-Pre-made-Frame-C11718477.jpeg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5235526823002975986" /&gt;&lt;/a&gt; (V. Van Gogh, "The Starry Night", 1889&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bêbado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, estive ausente, por um ano ou mais. E vou ainda escrever sobre o vinho que acabei de tomar, com todas as frescuras: Chateau St. Jean pinot noir, 2005. É um vinho americano, do Sonoma County. É um Pinot que parece pinotage, tem gosto de estrebaria e couro, pouca fruta, longo, denso, grosseiro, tanino médio. E 14,5º gl. Vinho pra macho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-8677927308641250972?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/8677927308641250972/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=8677927308641250972' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/8677927308641250972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/8677927308641250972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2008/08/bbado-ok-estive-ausente-por-um-ano-ou.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/SKhT6BEfLvI/AAAAAAAAABw/MkWWGPN0GUY/s72-c/The-Starry-Night-1889-Pre-made-Frame-C11718477.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-3630253948472020107</id><published>2007-12-04T05:15:00.001-08:00</published><updated>2007-12-04T05:31:17.676-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/R1VV803TuPI/AAAAAAAAABo/ODw0aZyXR8E/s1600-h/A010~Maternity-Posters.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/R1VV803TuPI/AAAAAAAAABo/ODw0aZyXR8E/s320/A010~Maternity-Posters.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5140109053184424178" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A História do Gatinho Macarrão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Ilustração: Pablo Picasso, "Maternidade", 1963)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(essa é uma historinha que tenho contado para minha filha Bebel na hora de dormir. É um ardil inescrupuloso para tentar atenuar os ciúmes que ela sente desde o nascimento de sua irmã Catarina. Aqui vai uma versão para adultos e crianças um pouco mais precoces.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Astrid acordou com um solavanco mais forte, e não entendeu imediatamente onde estava. Despertou de um desses sonhos intermináveis e repetitivos, em que corria pelas ruas escuras e estreitas de uma cidade antiga, perseguida por uma leoa incansável. O som ritmado das rodas sobre as emendas dos trilhos lembrou-a de quem era e onde estava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os ratos que passavam correndo pelas vigas altas do vagão olhavam-na com desconfiança. Astrid não lhes dava atenção, apesar de sua fome. Comeu algumas castanhas que encontrara arranhando as sacas alojadas no compartimento e saiu à procura de água. A passagem de um vagão a outro só era possível através de uma junção estreita e instável. Apesar de sua índole doméstica e avessa a riscos físicos, Astrid caminhou rapidamente sobre a perigosa passagem e foi explorar os outros carros do comboio. Ouviu a conversa ruidosa dos trabalhadores do vagão carvoeiro. Conseguiu entrar despercebida num banheiro minúsculo e entorpecente; sorveu a água que caia em gotas da torneira há muito oxidada. Voltou rapidamente para o vagão de carga, evitando ser descoberta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia de verão ia clareando, e com ele o calor dentro do vagão ficava menos suportável. Os ratos corriam menos pelas vigas, agora guinchavam raramente dentro de seus esconderijos insuspeitos, entregues a atividades misteriosas. Astrid olhava através das frestas os intermináveis campos de milho que davam a impressão de que o trem andava os dias inteiros sem sair do lugar. Mesmo as freqüentes estações, todas pareciam ser uma só, com sua caixa d’água, sua sala de telégrafo, seus funcionários uniformizados de azul escuro. Astrid enfrentava essa rotina havia várias semanas, o que já teria esgotado a maioria dos viajantes clandestinos. Mas não uma mãe em busca de seu filho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite fresca e estrelada, o trem parou, guinchando e bufando, mas Astrid pode ouvir alguém gritar:&lt;br /&gt;- Cedar Rapids! Cedar Rapids!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu do vagão esgueirando-se pelos trilhos sombrios. Alcançou a plataforma e foi andando entre as pessoas agitadas de saudade antecipada. Tudo o que sabia era que precisava encontrar o Grande Circo Internacional, como havia dito o grande rato gordo, que não conseguia mais subir nos trens, tão obeso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lona azul e vermelha rugia com as risadas dos mais de 4 mil espectadores. Astrid conseguiu entrar sem ser vista. O público ria, gargalhava, chorava de rir, mulheres faziam xixi de tanto rir. No picadeiro central, no foco dos holofotes, estava seu filho, Macarrão. Ou o “Grande Palhaço Macarrão”, como era conhecido no meio circense. Seu coração batia acelerado, mesmo para uma gata. Viu que todos riam, menos seu filho Macarrão. Sua cara de palhaço tinha uma lágrima pintada; fazia palhaçadas de palhaço sério, que tinham graça num lugar estranho da alma das pessoas, o lugar onde a gente ri de quem escorrega na casca de banana. Astrid foi invadida por uma tristeza profunda, sentindo todo o abandono que seu filho sentia. Um engano dele, mas sentido, mesmo assim. O abandono que ele imaginava viver desde o nascimento dos sete irmãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Astrid começou a chorar baixinho. As pessoas mais próximas notaram, e pararam de rir. Ela foi caminhando em direção ao picadeiro e, aos poucos, seu choro foi espalhando silêncio pela platéia. Quando alcançou o picadeiro, todo o circo emudecera. A banda parara de tocar. Somente se ouvia seu choro baixinho. Chegou ao centro do círculo, e abraçou tão fortemente seu filho querido que deixou sair um imenso suspiro. Macarrão percebeu que podia finalmente se desarmar, e se entregou ao colo da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os pagantes, mesmo sem um entendimento completo, imaginaram que aquilo fazia parte do número, e foram retornando ao riso. Como uma risada puxa a outra, em pouco tempo toda a platéia gargalhava. Astrid e Macarrão riam e choravam ao mesmo tempo. A banda tocou e eles saíram sob aplausos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltaram para casa. Macarrão hoje faz palhaçadas para os seus sete irmãos e a mãe, e nunca mais pensou em fugir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-3630253948472020107?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/3630253948472020107/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=3630253948472020107' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/3630253948472020107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/3630253948472020107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2007/12/histria-do-gatinho-macarro-essa-uma.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/R1VV803TuPI/AAAAAAAAABo/ODw0aZyXR8E/s72-c/A010~Maternity-Posters.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-6176166162722402482</id><published>2007-10-20T19:00:00.000-07:00</published><updated>2007-10-21T18:40:40.658-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RxtGU3qdC0I/AAAAAAAAABQ/a2bYdA0jzdA/s1600-h/klimt.danae.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RxtGU3qdC0I/AAAAAAAAABQ/a2bYdA0jzdA/s320/klimt.danae.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123766325417413442" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Cliente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (resumo de um romance a ser escrito. Ilustração: Gustav Klimt, "Danae", 1907)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos os dias úteis, às 3 da tarde, Dona Glória recebia seu único cliente. Era um homem que também aparentava ter os seus 80 anos; comparecia com a solenidade contida dos homens que usam terno e gravata mesmo nos dias de verão. Dona Glória o recebia na porta, subiam vagarosamente as escadas que levavam aos aposentos da idosa prostituta. Trancavam-se durante toda a tarde. Certas vezes, deitavam-se na cama e trocavam carícias íntimas e secas. Na maior parte dos encontros, conversavam, ou simplesmente compartilhavam, mudos, a vista das encostas da Lapa através da janela que dava para a rua. Dona Glória e seu cliente eram mais antigos na casa que qualquer dos funcionários. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pagava sempre o mês adiantado, o que garantira a estabilidade de Glória perante os novos donos do estabelecimento que já não tinham idade suficiente para haver testemunhado seus anos áureos, quando a casa ficava na Av. Paulista. Àquela época, todas as noites, Glória aguardava o momento certo para descer as escadarias da grande mansão, em cujos salões se reuniam os barões do café, os artistas, os políticos, os homens de bem, afinal, da sociedade paulistana; a música não parava, necessariamente, mas as conversas eram suspensas por um momento, enquanto os olhares todos se voltavam para a figura que preenchia a sala com seu sorriso, sua luz e seu perfume. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teve inúmeros amantes, famosos e poderosos. Viveu uma vida sofisticada, com viagens a países exóticos, presentes luxuosos e festas em que circulava junto à elite brasileira sem enfrentar rejeição. Sua beleza não provinha necessariamente de seus atributos físicos – era uma mulher bonita, mas tinha um corpo peculiar: mãos grandes e quadradas, quadris largos, seios pequenos,  cabelos ruivos, uma pele branca e incoerentemente hirsuta. Mas tinha a faculdade que certas mulheres possuem, de seduzir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda criança, surpreendeu-a sua amiga de bonecas querendo beija-la. Beijaram-se, e a amiga amou-a para sempre. Criou uma teoria segundo a qual seu sexo exalava um “cheirinho invisível” que ia atraindo os amiguinhos, os tios, o homem da padaria, o padrasto – seu pai desaparecera antes de seu nascimento. Ela foi com todos, movida por uma curiosidade casta e quase científica. Aprendeu muito sobre os homens, mas principalmente sobre si mesma. Glória sempre fora assim: curiosa e intensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha fases. Certa  vez, converteu-se fervorosamente ao catolicismo. Ia à primeira missa todos os dias. Dava aulas de catecismo e ajudava os pobres; fazia suspirar padres, sacristãos, coroinhas e freiras. Mas era fiel ao marido. Por essa época, Glória casara com um amigo de adolescência. Heitor era portador de uma introversão contornável, que ele atenuava com senso de humor e inteligência. Glória apaixonara-se por ele no Liceu Mário de Andrade, onde cursaram o científico. Foi algo que ele disse a respeito da professora de teatro. Tiveram um acesso de riso e foram expulsos da aula. Treparam no escuro dos panos da coxia, abafando os gemidos com beijos. Apesar de sua relativa timidez, Heitor sentia-se estranhamente seguro no campo sexual, e Glória sentia-se realizada como com nenhum outro homem. Casaram-se contra a vontade da família dele e sem grande conforto material. A mãe de Glória, por outro lado, consentiu com certo alívio, e foi morar com seu amante em um bairro afastado. Glória e Heitor passavam as tardes dos finais de semana no quarto alugado no Bixiga, deitados no colchão, sua única mobília, lendo os livros um do outro, entre um coito e outro. A vida parecia simples e certeira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heitor, porém, alimentava um cinismo que aos poucos consumia sua capacidade de realizar coisas. Sua inteligência era, via de regra, superior à das pessoas com que ele trabalhava, o que o fazia nutrir um desprezo arrogante pelos seres humanos em geral e seus pares em particular. O resultado disso é que nunca levava a sério sua vida, intimamente acreditando estar reservado para algum grande desígnio que ainda estava por descobrir. Foi nessa época que Glória começou a olhar para homens poderosos e bem sucedidos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro foi seu patrão. Às noites, Glória trabalhava como garçonete em um restaurante. O proprietário, dono de diversos estabelecimentos em São Paulo, passava duas vezes por semana para acertar as contas com o gerente.  Logo, Glória foi promovida a gerente, e suas contas eram acertadas a portas fechadas. Outros romances seguiram-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória achava que deveria sentir alguma culpa por seu comportamento infiel, mas não sentia. Sentia, sim, um vazio, que somente preenchia com os homens que colecionava. Sobreveio a fase católica. A carolice de Glória irritava a sensibilidade cética de Heitor, que aceitava sua crença com uma resignação desapontada e ignorante. Glória aprofundava-se nos mistérios da fé com a volúpia de uma iniciante. Mas é claro que isso não durou muito. Concluiu que sua indisciplina conjugal era fruto de tudo que em seu marido a decepcionava: sua preguiça, seu olhar pueril em relação à vida. Separaram-se pela primeira vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve várias separações. Durante elas, Glória conhecia os homens que queria. E queria muitos, na verdade . Heitor, por sua vez, deprimia-se, apesar de Glória não deixar de visita-lo. Seus momentos de amor eram mais intensos e agressivos, durante esses períodos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Heitor resolveu tentar ser o homem que imaginava que Glória queria que ele fosse. Não foi um processo rápido, nem fácil, mas aconteceu. Teve de trabalhar seriamente com coisas que não faziam muito sentido em sua vida. Conseguiu um emprego como redator de anúncios. Encontrou seus limites, expandiu suas possibilidades, e aproveitou o surgimento da televisão no Brasil para prosperar.  Em poucos anos, tornou-se um homem rico e influente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória saía de sua fase política. Voltara de sua viagem à União Soviética depois de um período de grande entusiasmo com seus camaradas bolchevistas. (Dizem que existe uma estátua sua em algum lugar da sede do partido em Moscou.) Encontrou Heitor  e fascinou-se. Voltaram a morar juntos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa fase durou alguns anos. Heitor crescia profissionalmente tanto quanto o desejo de Glória por outros homens. Até o dia em que flagrou-a com outro, em sua própria cama. Ele nem mesmo havia chegado mais cedo em casa, como é geralmente o caso nessas histórias de flagrantes conjugais: Glória e seu novo amante haviam sucumbido ao sono, após várias horas de exercícios sexuais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Glória, então, concluiu que nunca seria mulher de um só homem. Afastou-se, e Heitor não teria notícias dela por vários anos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reencontraram-se numa festa de Assis Chateaubriand. Na mansão da Avenida Paulista. Chatô reservara o lugar especialmente para sua função particular. No momento perfeito, Glória fez sua aparição: desceu a escadaria da sala principal irradiando sua luz impossível. Não se abalou quando percebeu o olhar de Heitor entre os que a cobiçavam. Atravessou o salão e foi beijar o anfitrião. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, Heitor e Glória contemplam a vista deteriorada da Lapa, quase todas as tardes. Ele se casou novamente, tem 3 filhos já adultos, mas nunca deixou de visita-la. No início, ela não achou que seria uma boa idéia, mas acabou acedendo. Heitor contenta-se com a idéia de compartilhar a velhice com a mulher que sempre amou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-6176166162722402482?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/6176166162722402482/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=6176166162722402482' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/6176166162722402482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/6176166162722402482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2007/10/o-cliente-resumo-de-um-romance-ser.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RxtGU3qdC0I/AAAAAAAAABQ/a2bYdA0jzdA/s72-c/klimt.danae.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-5774624633228938715</id><published>2007-05-07T04:59:00.001-07:00</published><updated>2007-10-21T05:34:35.141-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RxtHKXqdC1I/AAAAAAAAABY/JV6FEapAQWE/s1600-h/spiral-1.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://4.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RxtHKXqdC1I/AAAAAAAAABY/JV6FEapAQWE/s320/spiral-1.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5123767244540414802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está tudo certo, como tudo sempre esteve:&lt;br /&gt;O que é, tinha de ser&lt;br /&gt;O que foi, tinha de ter sido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que quer que fosse, não o sendo, &lt;br /&gt;Nunca foi, jamais será&lt;br /&gt;Por toda a eternidade do instante presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Futuro, a mim pertence.&lt;br /&gt;Lembrança do que virá a ser.&lt;br /&gt;Futurado em Presente, de depois é passado a agora:&lt;br /&gt;É deposto.&lt;br /&gt;E Cai no esquecimento do Real, sendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está tudo certo, como sempre tudo estará.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-5774624633228938715?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/5774624633228938715/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=5774624633228938715' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/5774624633228938715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/5774624633228938715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2007/05/tempo-est-tudo-certo-como-tudo-sempre.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RxtHKXqdC1I/AAAAAAAAABY/JV6FEapAQWE/s72-c/spiral-1.gif' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-6611439063920276691</id><published>2007-05-06T20:45:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T04:19:26.712-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Mais Sobre a Percepção da Realidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/Rj6hM39xnoI/AAAAAAAAAA4/m8Pkc4nnxso/s1600-h/9_lg.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/Rj6hM39xnoI/AAAAAAAAAA4/m8Pkc4nnxso/s320/9_lg.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061660273764572802" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/Rj6hcH9xnpI/AAAAAAAAABA/kyhiqdBMvIc/s1600-h/10_lg.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/Rj6hcH9xnpI/AAAAAAAAABA/kyhiqdBMvIc/s320/10_lg.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061660535757577874" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;As fotografias ao lado retratam Lênin discursando aos soldados do exército vermelho, cobrindo-os de razões para combater os poloneses, em 1920. A foto de cima mostra Lênin debruçado sobre sua platéia, à beira de um palanque de madeira. Ao lado do palanque, vemos a figura de Trotsky, que na época era o comandante do exército vermelho. Quando Trotsky desentendeu-se com Stalin, foi feito um grande esforço para apagá-lo da memória soviética. Assim, a famosa foto de baixo, muito utilizada pela propaganda stalinista, apresenta um palanque ligeiramente maior, com uma extensão onde deveria estar o Lev Trotsky. Um retoque, prática comum naqueles tempos. Imagina se houvesse Photoshop. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Trotsky era um desses caras que vivem discordando. Antes da Revolução Russa já havia sido exilado e deportado de vários países, tanto que estava em Nova Iorque quando chutaram o Tzar Nicolau II do trono. Voltou correndo, mas seu navio foi interceptado, e os soviéticos ficaram em dúvida sobre aceitar sua entrada na Rússia durante um bom tempo. E tinham razão. Era um purista. Discordava de quem fazia concessões. Queria preservar os ideais que caras como ele e Lênin tinham depurado no exílio em Londres, entre outras cidades européias. Quando seu camarada Lênin morreu, Trotsky ficou sem pai nem mãe, e foi expulso da união soviética por discordar do politburo. Foi morar, no final das contas, no México, transou com a Frida Kahlo, que eu acho uma gata, apesar dos contemporâneos e ela mesma jurarem de pé junto que era um estropício. E foi assassinado por um agente mex-soviético. Teve uma vida coerente e emocionante, de um vilarejo da Ucrânia para o mundo, e teve a honra de ter no currículo sua posição anti-stalinista. Foi apagado da história soviética, mas sobreviveu na memória mundial. Devia ser um comunista legal. Era um bom cmarada. Ninguém pode negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas esse artigo não é para falar bem do Trotsky. Meu interesse é pelas fotos do Lênin, com e sem Trotsky. Eu vi as tais fotos quando ainda era criança, e elas me impressionaram muito. O processo de alterar a história a posteriori me pareceu uma brutalidade inominável. Uma radical violência contra a humanidade e contra a verdade. Ajudou a tornar-me um leitor crítico. Paranóico, quase. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque esse tipo de processo é mais freqüente do que pode parecer. Na campanha do Kerry para a presidência dos EUA, ele também forçou a barra, fotograficamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/Rj6hp39xnqI/AAAAAAAAABI/kM8kmm4DpQY/s1600-h/kerryfonda.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://1.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/Rj6hp39xnqI/AAAAAAAAABI/kM8kmm4DpQY/s320/kerryfonda.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5061660771980779170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Incluiu a Jane Fonda numa foto sua de juventude. Eu também gostaria de incluir a Jane Fonda em várias cenas da minha vida, principalmente ela em sua juventude. O Kerry até deve ter participado de algum comício anti-belicista com a beldade em questão, e se remoía de não ter uma foto boa da ocasião. Apelou para a desonestidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o objetivo desse texto também não é falar mal do Kerry. Ele é história. Ou, nem isso. Eu quero chamar a atenção para a atrocidade que isso é. Quando vivíamos sob o regime militar, não dava para acreditar em nada. Essa era a vantagem de ter um inimigo claro, se é que há alguma vantagem em mais de 20 anos de ditadura. Quando o Estadão publicava Camões, sabíamos que era espaço de matéria censurada. Quando as fotos do Herzog suicidado apareceram, ninguém acreditou. Era um problema de força bruta: todo mundo sabia que era mentira, mas ninguém podia dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje temos um fenômeno diferente: o presidente mente mais que guri em porta de boate, muita gente sabe que é mentira, alguns dizem, mas ninguém mais se importa. O Lula tem uma cara de pau sem precedentes. Tudo o que há de bom nesse momento, ele diz que foi ele quem fez. A estabilização da moeda, por exemplo, ele diz que foi ele quem fez. Distorce a história como poucos. Ele e seu governo vão aos poucos politizando os órgãos de pesquisa que até então pareciam relativamente objetivos. Quis que o  IBGE, por exemplo, submetesse ao crivo presidencial resultados do seu levantamento bienal. Agora, tenta interferir no IPEA. A gravidade maior desse processo reside na falta de oposição que ele vem encontrando. Quem entende o que está acontecendo ou fica perplexo, como eu, ou bandeia para o seu lado, como a maioria dos políticos outrora oposicionistas ferrenhos. Todo o mundo pensa que só dá pra ganhar eleição ficando ao lado do grande irmão populista; então, o cara fica hegemônico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas meu objetivo também não é falar mal do Lula. É verificar a situação em que uma população oscila entre a crença cega, regada a bolsas-famílias, e o ceticismo ignorante, que não consegue levar a uma proposta de projeto. O cidadão comum diz que tudo é uma merda. Que todos os políticos são corruptos. Que não há saída para nenhum problema. Que a culpa foi do modelo de colonização dos portugueses. Que para cá só veio bandido e puta. Que a gente era feliz e não sabia. Que era melhor se os militares voltassem. Que só se houvesse pena de morte...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O necessário, nesse momento, é uma geração de gente crítica, sim, mas não imobilizada e maniqueísta. Gente que possa apreender a realidade de uma maneira curiosa e, ao mesmo tempo, desconfiada. Que aprenda a filtrar, de alguma maneira, as distorções que os personagens tentam impor à História, sem que o diagnóstico dessa desonestidade leve à descrença geral e paralizante, mas que traga informação que possa ser usada em projeto de reconstrução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu pra entender?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-6611439063920276691?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/6611439063920276691/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=6611439063920276691' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/6611439063920276691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/6611439063920276691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2007/05/mais-sobre-percepo-da-realidade-as.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/Rj6hM39xnoI/AAAAAAAAAA4/m8Pkc4nnxso/s72-c/9_lg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-3494088911332515223</id><published>2007-04-25T19:52:00.000-07:00</published><updated>2007-04-30T19:49:00.557-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Jack do Lost e a Imbecilidade Racional  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RjHsgX9xnnI/AAAAAAAAAAw/udQN22Idjg4/s1600-h/tn1121695217.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RjHsgX9xnnI/AAAAAAAAAAw/udQN22Idjg4/s320/tn1121695217.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058083897446866546" /&gt;&lt;/a&gt;(ilustração: Alan Davie, "Room Of The Cosmic Signaller #2", 2000.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Filipe e a Vanessa estão assistindo ao "Lost", aquele seriado que vicia, mas não goza. Eu já fui dependente, assistindo às duas temporadas disponíveis em DVD durante um único fim de semana. Hoje, freqüento grupos de apoio, e consigo aguardar a 3ª temporada sem recorrer à pirataria, ou a crimes mais graves.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jack do "Lost" é o líder do grupo nos primeiros episódios. O Filipe e a Van acham o Jack o máximo. Quando falei que o cara era uma besta, eles se surpreenderam. Médico, racional, vai provando ser um chato no decorrer da trama. Nos primeiros episódios, ainda não dá para perceber isso, porque ele se apresenta pró-ativo, líder corajoso e sensato, um médico na sala de cirurgia do pronto-socorro. Aos poucos vai ficando pentelho, rancoroso e mimadinho. Mas o Filipe e a Vanessa ainda não sabem disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu disse que o Jack era uma besta, o Filipe estranhou: disse que até achava que o cara era parecido comigo, e ele apontou a semelhança no aspecto de racionalidade da personagem. Isso não me surpreendeu, já que algumas pessoas fazem essa confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente confunde meu modo de pensar. Chegou o momento de definir de uma vez por todas que não sou positivista. Na verdade, o que me guia a vida é muito mais a intuição e a sensação do que o pensamento. Quem vive ou trabalha comigo percebe minha exasperadora falta de planejamento e o improviso intuitivo, às vezes impulsivo. É até mesmo, eu diria, uma posição política: sou anarquista pessoal. Desisti de ser piloto por achar que não era CDF o suficiente. Quando viajo, faço questão de não planejar nada: reservo hotel somente para o primeiro e último dias de viagem. Alugo um carro e saio na louca, descobrindo as reservas do destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, confio plenamente na ignorância humana. Penso que todas as formas de compreensão humana acerca das coisas e do universo em geral sejam tentativas insatisfatórias. Nossos conceitos a respeito das coisas são provavelmente muito precários, limitados pela nossa capacidade de perceber a realidade e conceber idéias. Imagino a lógica e a ciência como sendo apenas formas dignas de lidar com essa incompreensão acerca da realidade, e por isso eu as respeito. Sim, eu tenho um lado bastante racional, mas eu sei que as verdades científicas são de mentirinha, de certo modo. São verdades provisórias, que serão modificadas no futuro, mas que são algo do que temos de melhor para entender o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela entrevista do Guimarães Rosa ao Lorentz, que mencionei em texto recente, o escritor também é acusado de ser lógico e racional, ao que ele reagiu como se lhe houvessem xingado a mãe. Preferia ser lembrado como um cara que fala do sertão místico, do espírito, das coisas inexatas e misteriosas, ao mesmo tempo que sua técnica de escritura é paradoxalmente racional e sofisticada. E falou umas coisas sobre "prudência" que me soaram meio confusas, mas que pareciam conter uma reflexão profunda anterior. Dizia que "a lógica é a prudência transformada em técnica", e que isso não era útil em nada. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coincidentemente, na mesma semana, estava relendo do Bertrand Russel a "History of Western Philosophy", e achei a fonte original da idéia da prudência a que Guimarães se referia. Durante suas reflexões a respeito do culto a Baco e a Orfeu, na grécia antiga, Russel diz que a civilização é um processo em que a prudência vai tomando o lugar do instinto. A prudência é abrir mão do presente pensando no futuro. É cultivar a terra pensando no grão que será colhido meses depois. O instinto é a caça, é a matança prazerosa para o consumo imediato. À medida em que uma civilização vai evoluindo, Russel pondera, essa prudência pode sufocar demais as formas de comportamento menos racionais. Isso geraria uma reação na direção oposta. Assim, em momentos civilizatórios em que se alcançam níveis altos de sofisticação técnica, científica e cultural, surge a tendência a uma compensação. Na civilização helênica, esta compensação foi representada pelo retorno aos rituais antigos e primitivos de culto a Baco, e ao orfismo. As bacantes permitiam que seus participantes atingissem estados mentais que os fazia abrir mão da racionalidade; entregavam-se à intoxicação, à dança, ao contato com os elementos, ao devorar da carne crua de animais sacrificados ritualmente e outras barbaridades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em nosso momento histórico, percebemos esse tipo de movimento com clareza. Dá preguiça de falar a respeito do Paulo Coelho, mas pessoas procuram formas alternativas de percepção e compreensão da realidade que se contraponham ao cientificismo, que é a verdade oficial desde o positivismo. Eu encontro isso na arte. Tem gente que encontra na religião, ou na yoga. Eu respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, tem uma coisa: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O que me deixa aporrinhado é quando misturam tudo sem nenhum critério, e tentam apresentar provas científicas dos mistérios da fé, ou achar concordâncias arbitrárias entre abordagens que, se não conflitantes, deveriam ao menos ser consideradas complementares, sem a obrigação de congruência. Então, quando chegam com uma máquina de fotografar espíritos ou fazem um documentário sobre a verdadeira vida sexual de Jesus Cristo, desprezo. Aí, pensam que sou racionalista juramentado. Mas não sou. Cada um tem o direito de acreditar naquilo que quiser. Mas não venha dizendo que é verdade. Porque não dá pra saber se é ou não. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Who cares, anyway...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-3494088911332515223?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/3494088911332515223/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=3494088911332515223' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/3494088911332515223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/3494088911332515223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2007/04/o-jack-do-lost-e-imbecilidade-racional.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RjHsgX9xnnI/AAAAAAAAAAw/udQN22Idjg4/s72-c/tn1121695217.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-1998903215552084699</id><published>2007-02-07T17:07:00.000-08:00</published><updated>2007-02-07T17:56:35.307-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RcqBk6YydkI/AAAAAAAAAAM/lQmgWo9yOFg/s1600-h/rep_memoria_o.jpg"&gt;&lt;img style="float:center; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RcqBk6YydkI/AAAAAAAAAAM/lQmgWo9yOFg/s320/rep_memoria_o.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5028974405061080642" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;On the Road no Sertão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, como estava dizendo, o Guimarães Rosa é o cara. Ganhei de presente suas obras completas, no dia dos pais. Já faz um tempo, é verdade, mas são completas; demora, mesmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além das coisas que ele escreveu, tem as coisas que ele disse, numa interessante entrevista ao seu tradutor alemão, de que agora não tenho o nome, aqui à mão. O Guimarães viajava! Provavelmente bêbado, ele não conseguia falar de literatura, só e simplesmente: viajava na metafísica. Acuava o alemão, coitado, na sua seriedade saxônica, enquanto generalizava carnavalescamente sobre os homens e as coisas. O tradutor, meio contrariado com as desveredas da entrevista, tenta conduzi-lo aos temas mais terrenos ou literários, enquanto que o Guimarães Rosa fala alto, assustando as pessoas no lobby do hotel, gesticulando perigosamente com seu dry-martini, fazendo afundar seu interlocutor na poltrona de couro. Imagino eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era quase um tropicalista sertanejo. Tropicalista, pela exuberância da expressividade, na paixão pelas posições parciais, pelo drinque ameaçando molhar o alemão, o que me lembrou outras figuras tropicais: Glauber, Zé Celso, Villa-Lobos, Tom Zé, Gilberto Freire, Darcy Ribeiro. Gente que falava e fala alto, com a boca cheia de tesão, alvejando o interlocutor com seus perdigotos voluptuosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho bonito, isso, essa gente extrovertendo o que ela pensa, sem medo do inconveniente porventura. Uma vez eu vi um vídeo de uma cena gozada: o Caetano, que é um desses caras, recebe no camarim, na década de 1970, o Glauber Rocha. O Glauber não deixa o outro falar. Gordo e suadão, grita, gesticula, defende teses, funda e refunda o Brasil, enquanto Caê fica ali, estranho, sentadinho, magrelo, tentando dar uma palhinha, em vão. Exuberância é relativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei exatamente se Guimarães era uma pessoa assim. Talvez tenha sido só quando sentava à frente de tradutores alemães. Mas exuberava na linguagem, sem dúvida. O virtuosismo da sua escrita tem fundamentos que hoje fazem muito sentido para mim. A procura dele é pela palavra estranha, pelo uso incomum, pelo arcaísmo e pelo neologismo, mas ele o faz não por vaidade: faz para recuperar o valor das palavras e torná-las mais expressivas. Recupera a etimologia, o sentido primário dos termos, que às vezes fica esquecido pelo uso, pelo abuso e pelo lugar-comunismo. Por exemplo, ele usou "sozinhozinho", que parece um neologismo. Muito só, quer dizer. Mas, muito só MESMO! Na verdade, ele recupera, pela repetição do sufixo, o processo original de sufixação da palavra "só". "Sozinho", quando foi inventada, queria dizer, pelo uso do diminutivo, isso: extremamente só. O diminutivo acentua o valor da solidão. Mas o uso constante da palavra fez com que perdesse a força, e "sozinho" acabou reduzido a sinônimo de "só". O Guimarães, espertão, percebia esses processos de emboloramento da língua, e cuspia soluções pra recuperar o frescor. Ao repetir o diminutivo, ele reedita o processo de formação da palavra, e o sentido inicial de "sozinho" ressurge, revigorado e chamado à atenção pela estranheza. E tudo nele funciona assim, ele não se permite à linguagem fácil e semi-morta, ele ressuscita as palavras e dá à luz novas, numa fluência que parece impossível, à primeira vista. Mas o cara era poliglota, falava uma porradaria de idiomas, lia em mais um montão, e ainda tinha estudado a gramática de alguns outros. Ele dizia que isso era muito bom para visualizar as engrenagens da nossa própria língua, e devia ter razão. Os rudimentos de latim e grego que a gente acaba aprendendo durante a faculdade de medicina, por exemplo, me abrem os olhos e as narinas para certos sentidos esquecidos das palavras. "Exuberante", por exemplo, que usei várias vezes acima, vem ex- ubere, que significa saído do ubre, das tetas, originalmente. Um jorro de leite: vitalidade, fertilidade, abundância... Assim, o Guimarães Rosa revitalizou a língua, ressuscitou palavras moribundas, deu novos sentidos e novos caminhos para tudo o que poderia ser escrito. Não vou entrar no mérito do conteúdo do que ele escreveu, que é o universo em forma de caipirice. Ele é o cara!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei lendo, também, o Jack Kerouac, "On The Road". É um daqueles livros que eu mencionei na abertura desse blog, que eu nunca tinha lido, mas tinha muitas opiniões a respeito. Kerouac é o oposto de Rosa, sua linguagem não tem nada de virtuosa, nem o enredo tem qualquer coisa de assombroso. É tudo tão profundo quanto numa canção pop. O pop tem isso: o maior pecado, sem redenção, a ser evitado a qualquer custo, é a profundidade, a especulação. A linguagem que ele usa é cheia de gírias que foram correntes no final dos anos 1940, mas que hoje não fazem muito sentido imediato. Isso é uma das coisas que o Guimarães evitava: usar palavras que fossem morrer dali há pouco. Ouvi outra pessoa falar mal da gíria usando o seguinte argumento: a gíria, em geral, empobrece a língua, pelo seu próprio processo de formação. Em geral, esse processo consiste em atribuir um novo sentido a uma palavra já existente. Assim, uma mesma palavra, "bicho", por exemplo, pode significar "animal" ou "amigo", reduzindo o número de palavras utilizadas no idioma corrente. Faz sentido. Mas eu uso, o Jack usava, e o Jack também é o cara, à sua maneira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O livro levou milhares de moleques, no mundo todo, a literalmente cair na estrada e a explorar possibilidades de suas vidas antes insuspeitadas. Essa geração "beat" deu origem, claramente, à contracultura dos anos 1960, e a toda forma de bicho-grilismo e contra-caretice, provavelmente. O livro é suave e sem destino como um road-movie, mesmo. Aliás, o Walter Salles o está adaptando para o cinema, fiquei sabendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais fascina na história de Sal Paradise e Dean Moriarty, as personagens centrais, é o espírito desarmado que têm. Passam os anos viajando sem muito propósito, a não ser encontrar amigos e viver experiências, movidos pela vagabundagem e a volúpia de viver. &lt;br /&gt;São tolerantes com as idiossincrasias dos que encontram, com as babaquices dos amigos e desconhecidos, perpetram pequenos crimes para sobreviver, de vez em quando, e passivamente escandalizam alguns representantes da normalidade americana do final dos anos 1940.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "On The Road" é um livro pop, "cool". A música pop também não admite muita profundidade, sob pena de ficar piegas, o que seria indesculpável. Compor uma canção não é necessariamente uma tarefa fácil: é complicado escrever algo relevante mantendo essa superficialidade que o pop exige. Musicalmente, por exemplo, tem que esquecer tudo de música. Aliás, quando entra um músico novo na produtora, eu geralmente tenho que fazer uma lavagem cerebral no cara. Músicos, em geral, são pessoas apaixonadas pela música, e paixão leva à intensidade e à complexidade. O pop não é complexo, é direto e simples. Um músico, quando ainda é um músico que se leva demasiadamente a sério, pode cair na tentação de escrever música no intuito de mostrar que é um bom músico. O pop, em geral, não admite muito disso, apesar das viagens egóticas de certos superstars, que resolvem complicar sua linguagem. O irônico é que essas tentativas acabam gerando obras que frequentemente são aclamadas como revolucionárias, mas que em geral são arremedos rudimentares de técnicas já exploradas em outros gêneros, como o jazz e a música de concerto, dita clássica. Então, para compor uma canção genuinamente pop, a gente tem de esquecer séculos de tradição, todos os anos de aula de harmonia e improvisação e contraponto e etc. E fazer uma música totalmente básica, intuitiva, provavelmente redundando o que já foi feito um milhão de vezes, e ainda assim achar nas entrelinhas um espaço para criar a originalidade, nos detalhes. E a poesia deve ser hábil o suficiente para lamber a alma das pessoas, e repercutir no seu recheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso é um exercício de desapego. Paradoxalmente, é voltar a ouvir música como os mesmos ouvidos ingênuos e apaixonados da época em que a gente decide ser músico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respeito a canção de Jack, tanto quanto a sinfonia do Guimarães.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-1998903215552084699?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/1998903215552084699/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=1998903215552084699' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/1998903215552084699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/1998903215552084699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2007/02/o-guima-e-o-jack-ento-como-estava.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_knh6vVKEmo4/RcqBk6YydkI/AAAAAAAAAAM/lQmgWo9yOFg/s72-c/rep_memoria_o.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-116536938366352770</id><published>2006-12-05T17:36:00.000-08:00</published><updated>2006-12-05T17:46:42.806-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/6/62/Gluttony3.JPG"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/en/6/62/Gluttony3.JPG" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Gula&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Desde o momento em que a menina entrou na loja, tudo o que ele podia ver eram seus lábios coloridos pelo picolé de groselha."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(clique na imagem)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-116536938366352770?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/116536938366352770/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=116536938366352770' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116536938366352770'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116536938366352770'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/12/gula-desde-o-momento-em-que-menina.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-116536716352916643</id><published>2006-12-05T16:42:00.000-08:00</published><updated>2006-12-05T17:26:31.963-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4111/3311/1600/843367/Eagle%26Flag.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4111/3311/320/779135/Eagle%26Flag.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Orgulho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(frase apócrifa que uma amiga me contou:)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou tentando ser mais modesto, mas me faltam argumentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-116536716352916643?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/116536716352916643/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=116536716352916643' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116536716352916643'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116536716352916643'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/12/orgulho-frase-apcrifa-que-uma-amiga-me.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-116532694775522956</id><published>2006-12-05T05:41:00.000-08:00</published><updated>2006-12-05T19:03:20.570-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4111/3311/1600/32149/John_William_Waterhouse_-_Hylas_and_the_Nymphs_%281896%29.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/4111/3311/320/624355/John_William_Waterhouse_-_Hylas_and_the_Nymphs_%281896%29.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;(ilustração: John William Waterhouse, "Hilas and the Nymphs", 1896)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Preguiça, A Luxúria...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou aqui...sem nada a dizer.&lt;br /&gt;E estou dizendo, mesmo assim.&lt;br /&gt;Há quem diria isso ser arte.&lt;br /&gt;Eu diria que é preguiça &lt;br /&gt;de fazer o que deve ser feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que merda seria a vida, se &lt;br /&gt;só se fizesse o que ela exige.&lt;br /&gt;Eu sempre deixei a obrigação &lt;br /&gt;para o último minuto: o ócio em primeiro&lt;br /&gt;lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia ainda vou preso por isso.&lt;br /&gt;Mas, enquanto fruo alguma liberdade&lt;br /&gt;vou empurrando a vida com a barriga,&lt;br /&gt;deixo a barriga da vida crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou tocando flauta e seduzindo a ninfa, entornando a ânfora.&lt;br /&gt;Vou mostrando a língua pra quem me olha torto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-116532694775522956?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/116532694775522956/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=116532694775522956' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116532694775522956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116532694775522956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/12/ilustrao-john-william-waterhouse-hilas.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-116401496383865090</id><published>2006-11-20T01:28:00.000-08:00</published><updated>2006-11-20T07:47:37.346-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/head-vi.0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/head-vi.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;A Morte, Novamente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Fancis Bacon, "Head VI", 1949)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tomy foi à produtora na segunda-feira passada. Veio pedir conselhos profissionais, indicações de contatos, precisava de emprego. Chegou munido de um laconismo quase impenetrável e uma irritação sutil de quem já perdeu a paciência com as esperas da vida. Eu senti urgência em ajudá-lo, tracei um plano de prospecção para ele, fiquei ao telefone mais de uma hora em ligações de apresentação. Coisa que eu não faço normalmente. É claro que o Tomy não era qualquer um, era o irmão do Dudu, casado com a irmã da mulher de meu irmão. O Dudu eu conheço bem, boa-praça, dedicado companheiro de uísque nas festas de família, dono de um coração gigante e sabedor de umas histórias de fazenda, caçada e pescaria que ele sempre repete todas as vezes que sentamos para beber, mas que eu sempre ouço com interesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Tomy, não. Sujeito quieto, fazedor de vídeos, fez um documentário sobre samba. Era tudo que eu sabia dele. Talvez por isso não tenha valorizado a sensação de vazio que ele me transmitiu. Não era nada de objetivo. Na verdade, se eu fosse realmente avaliar seu humor naquele dia, diria que estava normal. Falou articuladamente, estava bem vestido, tinha vindo ao meu encontro por iniciativa própria. Mas comunicava um vazio, de alguma forma. Eu não sentia vontade de falar com ele, algo nele me dava medo de mim mesmo. Mas isso são percepções retrospectivas; pode ser que hoje eu pense dessa maneira somente por saber o que aconteceu depois. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu da produtora com uma lista de pessoas para ligar, já avisadas de que ligaria. No dia seguinte, mandou-me o seguinte email:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dimi,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já consegui falar com algumas pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Maristela foi muito simpática. Estou levando meu filme para ela dar uma&lt;br /&gt;olhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te ligo quando tiver novidades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abraço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomy&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não parece um texto de alguém prestes a se matar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro dias depois, ontem, minha cunhada Rafaela ligou avisando que estava sendo velado no cemitério do Morumbi. Enforcou-se com o cabo da tv.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há aproximadamente 10 anos, meu ex-cunhado Lúcio enforcou-se com o cordão da capoeira. Há uns tantos anos, aproximadamente na mesma época, meu colega de medicina Popi matou-se com uma overdose de barbitúricos e minha colega de medicina Ieda matou-se com uma injeção de potássio. Quando eu ainda morava em Boston, em 1994, o namorado da Rebecca, Rafaello, pulou do prédio onde morava (então descobrimos que ele era o rei da Itália, estudando incógnito na Harvard, todos os papparazzi do mundo apareceram ao mesmo tempo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vou falar sobre o desespero, sobre a depressão, sobre a desistência. Mas sim sobre o que esses casos tinham em comum: todas essas vítimas, além de serem os únicos suicidas que conheci pessoalmente, estavam sob o efeito de anti-depressivos modernos, de uma classe chamada SSRI, inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Prozac, Zoloft, Paxil, esses, entre outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você fizer uma busca ligeira no Google, utilizando as palavras-chave "Prozac, Zoloft, Suicide", aprende rapidamente que a correlação entre essas drogas e um aumento na taxa de suicídio não é novidade. Alguns estudos apontam uma incidência de quase 4% de suicídios entre os pacientes que utilizam esse tipo de droga, contra 0,2 a 0,8% entre os que utilizam outros antidepressivos. Existem milhares de processos na justiça americana contra os laboratórios que os fabricam, todos por responsabilidade em suicídios. Há vários estudos clínicos associando estes antidepressivos a efeitos colaterais como irritação, mania, agressividade, auto-agressões e outros. Algumas crianças sob o efeito dessas drogas exibem um comportamento estereotipado de estapear o próprio rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li o relato de um caso em que os pais descrevem os últimos dias de vida de sua filha de 16 anos. Ela estava ansiosa em relação a um namoro. Após uma consulta de 30 minutos, um terapeuta indicou receitou 25 mg de Zoloft. Alguns dias depois, ela se internou voluntariamente, por não se sentir segura com a droga. Na internação, aumentaram sua dose para 150 mg diárias. Ela se enforcou no terceiro dia de alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos EUA, hoje as embalagens dessas drogas vêm com um aviso numa moldura negra, avisando quanto ao maior risco de suicídio. Aqui, nunca vi ninguém falar nada a respeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-116401496383865090?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/116401496383865090/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=116401496383865090' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116401496383865090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116401496383865090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/11/morte-novamente.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-116318989956941919</id><published>2006-11-10T12:17:00.000-08:00</published><updated>2006-11-10T13:03:34.046-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/1024_2.1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/1024_2.1.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite de Pré- Estréia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de ver "Canta Maria", com trilha de minha modesta autoria. Depois de mais de um ano no processo, essa foi a primeira vez que eu consegui assistir ao filme sem ter que avaliar coisas ou tomar decisões. Surpresa: gostei do filme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fazer música para um longa-metragem é o exato oposto de fazer música para um comercial de televisão. Fazer um disco fica no meio do caminho. O comercial de televisão é uma raspadinha, uma loteria instantânea em que é muito rápido você saber se acertou ou errou. A sua recompensa é imediata: a aprovação, o dinheiro no banco. Se errar, também é rápido ver o efeito: os clientes gritando, o atendimento gritando, os criativos gritando, o diretor do filme gritando; você acuado num canto da sala, vendo sua carreira ir pelo ralo, decidindo finalmente ir vender artesanato na escadaria da Gazeta. Ou dar aula de guitarra. Quando você faz um longa, é o oposto, não é loteria: é um processo lento e doloroso, que lembra mais um plano de carreira. A coisa demora muito a fazer sentido. É tudo lento e fragmentado, demora a tomar forma, principalmente no Brasil, onde o dinheiro acaba no começo, no meio e no fim do processo. Quando está compondo e produzindo, você vê o filme umas 457 vezes, mas aos pedacinhos. Você vê ele inteiro na mixagem, e ainda tá preocupado em ver se não tem nada errado, e acaba não podendo ver se tem algo certo. Quando sai a cópia, vc vai assistir de novo, mas sua cabeça ainda tá fragmentada, você mal entende a história. Está ainda preocupado se a emenda da música vai passar de um rolo para o outro, se a música não está muito alta, se você não deveria ter limado aquele trecho, se não deveria ter escrito música para aquela cena que tá seca...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje fazia uns 6 meses que não via a bagaça. E deu pra entender o filme, talvez pela primeira vez, e até que eu gostei da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estiver a fim de assistir, veja o site: www.cantamariaofilme.com.br&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-116318989956941919?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/116318989956941919/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=116318989956941919' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116318989956941919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116318989956941919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/11/noite-de-pr-estria-acabei-de-ver-canta.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-116299384057105555</id><published>2006-11-08T05:47:00.000-08:00</published><updated>2006-11-08T05:55:23.780-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/ad-19.0.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/ad-19.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Baby, I'm back!!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agradeço aos meu leitores sobreviventes pela paciência. Algo da minha ausência está explicado no texto que transcrevo abaixo, publicado anteriormente no blog d'Os Improváveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;osimprovaveis.blogspot.com/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;06 Novembro 2006&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pqp, mais um blog!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a banda nao se responsabiliza pelos posts assinados pel"os improvaveis".&lt;br /&gt;mas agradece&lt;br /&gt;a gentileza&lt;br /&gt;e a presteza&lt;br /&gt;em informar&lt;br /&gt;nosso delicado publico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tenho dado conta nem do meu blog pessoal, na verdade. Há meses que ele tá lá, paradão... me olhando feio. Os meus ex-leitores agora só me deixam mensagens de xingamento e maldição. Mas isso é amor. Pior seria se me xingassem enquanto em atividade. Alguns xingavam. Mas eu deletava. Minha auto-estima tem limite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que parei quando descobri que estava ficando surdo do ouvido direito. Se a coisa progredir, eu paro de tocar o baixo na banda. Faço umas coreografias, sei lá. Se me xingarem, pelo menos não vou ouvir. Mas, até aí, o Eric Clapton também tá com um zumbido no ouvido, e perdendo a audição. O beethoven do blues. Tocando as pentatônicas por instrumento, fazendo vôo surdo. Acho legal quem toca a vida toda uma mesma coisa, tem coerência estilística. Eu nunca tive paciência pra me filiar a um estilo só, sou uma puta musical, vou com todos. Acho chique, isso do Clapton ralar Cocaine e Layla até hoje. Eu tenho uns discos do Cream, do final dos anos 60, em que o Clapton já tinha esse som dele, e dizem que em Londres tinha uma série de pichações dizendo "Clapton is God". Mesmo que tenha sido o empresário dele quem pichou, tem que ter a moral pra encarar o papel. Deus! Mas o ponto é que o cara vem com o mesmo som desde essa época, refinando o fraseado, polindo os bends, caprichando nos vibratos... puta saco. Mas admiro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não nasci assim. Nasci prostituto, como já disse. E essa banda improvável também é cheia de meretrizes, tão biscates quanto eu. As meninas, nem tanto. Casadinhas, boas moças. Falo metaforicamente, musicalmente prostituídos. Assim que é bom, namorar com todos os estilos, sem nojinhos. Pelo menos, ninguém faz pose de santo paladino, enquanto baba no saco dos executivos de gravadora e do Faustão. E olha que temos potencial! Dizem que, com uma boa estratégia de marketing, em poucos meses estaríamos em condições de babar no saco do Faustão. Há quem goste, tô fora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O objetivo da banda não é esse. O objetivo da banda é falar merda em público. Chamar alguma atenção para poder dar declarações politicamente incorretas em programas de entrevista. Ir no Ronnie Von e mandá-lo tomar no cu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-116299384057105555?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/116299384057105555/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=116299384057105555' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116299384057105555'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/116299384057105555'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/11/baby-im-back-agradeo-aos-meu-leitores.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115712620761146377</id><published>2006-09-01T08:56:00.000-07:00</published><updated>2006-09-01T09:01:10.216-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Rejected&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você não gosta de cenas escrotas, não assista! O roteiro é muito podre! Mas a sequência final é do caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="350"&gt;&lt;param name="movie" value="http://youtube.com/v/k7iURiIBrOo"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://youtube.com/v/k7iURiIBrOo" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="350"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115712620761146377?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115712620761146377/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115712620761146377' title='11 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115712620761146377'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115712620761146377'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/09/rejected-se-voc-no-gosta-de-cenas.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115671474898371936</id><published>2006-08-27T14:34:00.000-07:00</published><updated>2006-08-29T16:30:03.286-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>História do Interior (parte 2)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa do Sr. Mário de Almeida era típica da classe alta do interior. Naquele final da década de 70, as filhas já haviam ido à Disneyworld, por exemplo, o que, se já não constituía uma excentricidade, pelo menos era sinal de uma vida folgadamente confortável. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mário recebera uma herança considerável de seu pai, fazendeiro de café e pecuarista que multiplicara em duas décadas o patrimônio da família várias vezes, até que os maus hábitos alimentares e a voracidade nos negócios o infartassem precocemente, aos 42 anos. Deixou Dona Cotinha, sua viúva, hábil bordadeira desprovida de qualquer iniciativa, e Mário, seu único filho, que aos 21 anos tornou-se o homem mais rico da cidade, controlando várias fazendas de café e gado nelore, uma transportadora, uma construtora e uma concessionária de caminhões. Casou-se com Ruth quando tinha 31 anos e ainda era o melhor partido da cidade, e ela 17. Ao longo de três décadas, perdeu a transportadora e a maior parte das terras em boates e cassinos do Rio de Janeiro e do mundo, além de vários negócios que enriqueceram alguns felizes oportunistas.&lt;br /&gt;Naquela manhã de quinta-feira, Dona Ruth, mulher de Mário, entrou no quarto da filha Daniela como todos os dias, batendo os tamancos nos tacos sintecados e logo abrindo as cortinas, animadíssima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos acordar, que está um dia lindo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela teve tempo de virar-se com um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa de café da manhã, a família ruidosamente reunida, Mário lia nos jornais as boas oportunidades dos classificados, sem prestar muita atenção à conversa das três filhas e o caçula. Dona Ruth e a empregada traziam à mesa o pão, a manteiga salgada, a margarina, o doce de leite, o café passado no coador de pano e o temido leite que vinha da chácara todos os dias, com suas natas que nunca seriam coadas, o gosto azedo irremediável, mas do qual as crianças eram obrigadas a consumir quatro copos diários. Acreditava-se na família que o leite artesanal trazido da chácara era mais saudável e nutritivo do que as modalidades vendidas em sacos plásticos naquela época. Anos depois, Márcia, a filha do meio, ao cursar a faculdade de ciências biomédicas, realizou uma análise daquele leite, constatando grande contaminação por coliformes fecais e outras bactérias, o que vingou os anos de provação das crianças da família e sepultou para sempre a idéia do leite vindo da chácara em latões de alumínio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por um instante, Mário deu-se conta da existência das crianças e percebeu suas filhas transformadas em adolescentes atraentes, enquanto abandonavam a mesa. Pensou consigo mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- 'Tô fodido…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na frente da casa, Dona Ruth organizava o embarque rumo ao colégio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, Dani, 'tá em cima da hora!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pode ir, mãe, que eu vou andando, não vai ter a primeira aula. Preciso gastar umas calorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu um sorriso perfeito de filha perfeita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro partiu e Daniela seguiu pela calçada, acenando com uma mão para o carro que passava, enquanto com o outro braço apertava contra o peito uma prancheta e alguns cadernos. Andava devagar, cansada pela noite em claro, a cabeça doendo um pouco pela ressaca, a boca pastosa e amarga. Tinha a sensação de irrealidade que ocorre depois de uma noite sem dormir sob o efeito de substâncias antagônicas.&lt;br /&gt;Após alguns quarteirões, percebeu que um maverick preto a seguia. Acelerou um pouco a marcha e dobrou a esquina. Pouco depois, o carro seguiu o mesmo caminho. Ela continuou andando apressada, e virou mais uma esquina. Na metade desse quarteirão, o carro preto a alcançou. Um homem de uns quarenta anos, olhos claros e barba crescida baixou o vidro e sorriu para ela, que resolveu parar de andar. O carro encostou junto a guia. Olhando para todos os lados, ela abriu a porta e pulou dentro do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu louco, minha mãe acabou de passar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ei, eu 'tava vendo. 'Tô na esquina já faz uns 10 minutos. Vem cá, me dá um beijo…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, sai daqui, daqui há pouco o meu pai também sai p'ra trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então abaixa aqui, que ele não te vê.&lt;br /&gt;João abriu o zíper da calça, forçando a nuca de Daniela com uma das mãos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você é foda, mesmo, hein? Vam’bora! Corre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro arrancou cantando os pneus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse João era um tipo de quarenta e dois anos que ainda frequentava a saída dos colégios. Havia chegado à cidade quando tinha ainda dezoito, vindo de São Paulo. Filho único, sabedor das modas da cidade grande, imediatamente tornou-se o playboy  da cidade. Ele conferia status  às meninas que o namoravam, e todos os garotos queriam ser seu escudeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que encontrou alguma resistência, de início: os rapazes que então dominavam a noite da cidade não gostaram nada quando ele começou a aparecer demais. Na festa de 15 anos da Solange, por exemplo, ele chegou próximo à meia noite, com seus amigos todos em jaquetas de couro. Nessa época, todos estavam bastante envolvidos com suas motocicletas Honda 750 Four, que haviam mandado vir do Paraguai, e andavam em formação pela cidade, fazendo poses excêntricas e executando acelerações assustadoras. Ao penetrar na festa sem convites, seu bando causou excitação entre as meninas e um certo desconforto entre os rapazes. Quando tocaram a valsa, ele estava cuprimentando a aniversariante, e não viu mal em tomá-la para a dança. Solange, que era baixinha, dentuça e normalmente usava óculos pesados (é claro que, para a festa, não os colocara, preferindo uma lembrança turva de seus 15 anos a usar suas lentes pesadíssimas), enrubesceu lisongeada e concedeu a dança, que seria um dos momentos mais emocionantes da sua adolescência (anos depois, ela ainda queria acreditar que o casamento com João havia sido uma real possiblidade, e não uma fantasia sua). A valsa foi tomada como um desafio irreconciliável aos rapazes da cidade que, liderados por um certo Esquilo, foram reunindo um considerável exército no lado de for a do salão de festas. As meninas sugeriram que João saísse pelo porta da garagem, mas ele se recusou. Saiu com seu bando pela porta da frente, e atravessou a multidão em silêncio. Quando já estavam a meio na calçada, alguém jogou uma garrafa nas costas de um dos motoqueiros, que virou e xingou. Foi o sinal para que a confusão começasse. O grupo de João conseguiu chegar às motos e fugir, um deles ainda passou com o pneu em cima do pé de alguém.&lt;br /&gt;Mais tarde, ainda naquela noite, João encontrou o Esquilo em um bar. Eram dois contra dois, que em menos de um minuto destruiram completamente o estabelecimento e foram parar na calçada. João bateu muito em Esquilo, e continuou batendo com uma corrente mesmo depois que o adversário estava já inerte, no chão. A briga somente acabou por conta de uns tiros que alguém disparou, e todos fugiram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A fama de João espalhou-se rapidamente depois daquele episódio. A rivalidade com Esquilo cresceu durante os anos até que o inimigo apareceu morto nas pedras do rio Tibagi, jogado do alto da ponte. O crime nunca foi esclarecido.&lt;br /&gt;João amadureceu sem casamento, sem trabalho fixo, sem objetivos maiores que comer as galinhas caipiras, como ele chamava as meninas da cidade. Seu envolvimento com drogas sempre foi suspeito pelas mães da cidade, que tentavam coibir o envolvimento de suas filhas com o dito cujo. Com o tempo, porém, foi sendo melhor tolerado pela sociedade, em boa parte graças à boa reputação de seu pai, médico que, influenciado pelo ambiente, acabou transformado em pecuarista, e sua mãe, oriunda de uma família quatrocentona de São Paulo, que, apesar de aparentemente oligofrênica,  era com certeza a pessoa mais refinada  e delicada da cidade, servindo de modelo para todas as outras senhoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos quarenta e dois anos de idade, João já havia sido incorporado à cidade como um problema administrável, um sociopata camarada. Já não era tão irresistível às moças das gerações seguintes. Havia algumas, porém, de uma certa qualidade, que ainda valorizavam a sua companhia. Daniela pertencia a esse grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram até uma rua erma de um bairro residencial pouco ocupado. Durante o trajeto, Daniela não falou nada e não dirigiu o olhar ao motorista, que falava olhando em sua direção, às vezes cuidando da estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica calma, tá tudo legal… Relaxa… você acha que o tio ia te deixar na mão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daniela continuava séria e muda. O movimento do carro causava-lhe uma náusea leve. Ela evitava o vômito deixando o vento roçar em seu rosto, agitando seus cabelos negros; tinha experiência nesse tipo de situação. Por fim, falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não saiu nada no jornal… nem ia dar tempo, também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não esquenta, ninguém viu nada. A gente não podia ter feito mais nada, a não ser se foder de graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina olhava pela janela, na direção oposta a João. Olhar para o seu rosto sorridente de olhos brilhantes piorava sua náusea. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A gente podia ter levado pro hospital…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tá maluca? Com todo mundo naquele estadinho? O que você ia dizer pro médico? E pra polícia? Nem a pau! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dirigiu em silêncio por um momento, agora sem sorrir. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele já tinha apagado antes, na festa – disse, depois de alguns minutos. Ela não respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram a um lugar que parecia seguro. Não havia casas na vizinhança, somente terrenos baldios onde a mamona crescia prosperamente entre o capim, sem que ninguém cuidasse. Desligou o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Fica tranquila, que não vai dar encrenca nenhuma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já deu, João… o cara tá morto. O que é que tinha naquele pó que você pegou, caralho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha aqui, calminha aí. Você sabe que eu só trabalho com farinha de primeira. Mas, sei lá, o cara devia ter algum problema, fraco do coração, sei lá… Aconteceu, pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como você consegue ser tão frio…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha aqui, só não sou é burro de cair só porque um moleque fez cagada... Ei, o que essa guria tá fazendo aí?&lt;br /&gt;Uma menina da idade de Daniela saiu do meio do mato, atravessando o terreno baldio por uma trilha invisível a partir do carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que que ela tá pescoçando aqui? - gritou o João.&lt;br /&gt;Daniela reconheceu, nesse instante, a colega de classe, que olhou o casal de relance através do pára-brisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Desencana, é a Flávia, é da minha classe, ela é na dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que parou pra olhar, a puta?&lt;br /&gt;João metia medo em Daniela quando ficava naquele estado agressivo. Daniela tentava controla-lo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Calma, calma, ela nem prestou atenção, a gente é que tava bem no caminho dela…&lt;br /&gt;João continuou xingando muito, até que a menina pediu-lhe que a levasse à escola, que a segunda aula começaria em 15 minutos. Ele foi resmungando, ela tomando vento no rosto.&lt;br /&gt; Chegando a alguns quartteirões do fundo do colégio, a menina pediu que parasse para ela saltar. João segurou na sua mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Espera que eu vou te dar um presentinho p'ra alegrar o dia.&lt;br /&gt; Pegou uma caixa de fósforos e, de dentro dela, tirou um pedaço minúsculo de papel de filtro, com o desenho da Betty Boop.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Um docinho pro seu recreio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem tô a fim, Johnny. Tô no maior bode…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas pegou o papelzinho de ácido e o enfiou num envelope colado dentro da agenda, que fechava com cadeado. Beijou o &lt;br /&gt;outro na boca, e saiu do carro apressada. Ele ainda a seguiu com os olhos até que virasse a esquina, medindo suas nádegas firmes de adolescente oscilando dentro das calças Soft-Machine.&lt;br /&gt;Enquanto esperava soar o sinal da segunda aula, Daniela fumava um Marlboro encostada na parede do vestíbulo do corredor, junto com os outros alunos atrasados. Nesse momento, chegou Flávia, a menina que os havia flagrado no terreno baldio, e juntou-se ao grupo silente. Não se cumprimentaram. Daniela observava a colega através da fumaça que soltava em anéis concêntricos. Era conhecida em todo colégio pela habilidade com que realizava essa manobra. Era também conhecida como uma das meninas mais atraentes e sexualmente ativas da escola, sendo desejada por todos os meninos e por grande parte do corpo docente. Soou o sinal. Daniela esmagou a bituca com o salto da bota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho até a classe, que ficava ao fim de quatro rampas sucessivas, Daniela teve tempo de puxar o assunto com a outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, e aí? Você mora ali no Quebec, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi. Moro sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, eu queria te pedir uma coisa: não espalha que você me viu hoje cedo lá no carro…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, nem encana, pode deixar, fica sossegada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E foram andando rumo à matemática, falando sobre homens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A manhã custou a passar, as aulas vinham lentas e incompreensíveis. Daniela resistia em usar a dose de ácido que tinha na agenda, julgando que ia precisar de suas faculdades mentais na maior integridade possível. Na hora do intervalo, no entanto, todo o mundo já sabia da notícia: Vinícius havia sido encontrado morto na porta da igreja. A polícia procurava por um Opala preto. Daniela foi ao banheiro e ingeriu Betty Boop. Cancelaram-se as aulas após o intervalo, já que poucos alunos retornaram. Daniela foi para casa com sua nova amiga Flávia. Passaram algumas horas olhando fotos antigas, até que Flávia teve um ataque de ansiedade inexplicável, e foi embora correndo. Daniela, que não estava em condições de entender muita coisa, trancou-se no quarto até a noite, vendo bichos estranhos na penumbra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115671474898371936?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115671474898371936/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115671474898371936' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115671474898371936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115671474898371936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/histria-do-interior-parte-2-casa-do-sr.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115663372760013839</id><published>2006-08-26T16:08:00.000-07:00</published><updated>2006-08-26T17:18:12.506-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A Revisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu nunca reviso o que escrevo. Quando o faço, fico meses corrigindo, melhorando, até que o texto acaba parecendo imbecil. Sei de outras pessoas que não revisam: o Paulo Coelho, por exemplo. Mas por razões místicas, já que o cara é quase tão supersticioso quanto os seus livros, acha que pode estragar o que a conjuntura cósmica propiciou, e aí prejudicar sua conta bancária. Acho que ele custa a acreditar no sucesso que faz, ou fez, sei lá, não tenho acompanhado as vendagens. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando não reviso, como na maior parte das vezes, acabo publicando uns erros boçais. Uma amiga, Esmeralda,  acaba de detectar um deles: na primeira parte de "História do Interior", uma das carolas, Olga, surge no primeiro parágrafo do texto e some da história. Na verdade, o nome dela muda para Laura, e eu esqueci de corrigir todas as ocorrências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro pensei em chama-la de Olga por conta de uma velhinha que um dia eu conheci num restaurante chinês que havia na Alameda Santos. Essa Dona Olga era uma senhora de uns oitenta e poucos anos, branquíssima, de olhos azuis muito claros. Era o começo dos anos 1980, e eu morava num apartamento da Fernão Cardin, dividindo com uns amigos, conhecido por todos os frequentadores como "O Antro". Éramos muito duros, naquela época de estudantes, e comíamos mal a maior parte do mês. De vez em quando, íamos a esse restaurante chinês que tinha rodízio, comíamos como camelos bebem água, e saíamos de lá intoxicados pelo glutamato que eles botavam no rango pra fazer a gente salivar. Naquele dia, eu e o Soró, que não morava no Antro mas podia ser considerado um "sócio-atleta", competíamos sobre os rolinhos primavera, que era, talvez, o que de melhor a cozinha daquele chinês cometia. Na mesa ao lado estava Dona Olga, que se intrometeu na nossa conversa, falando que gostava muito de comida chinesa. Aí, disse: "clarro, porr que eu sou chinesa, né", ela tinha um sotaque húngaro. Havia nascido e sido criada na China. Contou uma série de histórias interessantes, de como ela havia se apaixonado por um sujeito, e depois reencontrado com ele num avião, depois de 20 anos, e casado com ele. De como seus dentes eram bons graças ao uso de bicarbonato diariamente, que seu pai, bioquímico, sempre indicara. Mas depois de dez anos teria que ir à dentista, Dra. Mara, que ficava na Rua Tutóia. Ela não se lembrava do número, mas tinha uma memórria excelente quanto a lugares, acabarria achando o consultório. Pediu ajuda com as bengalas, ela usava duas, e quando demos por nós estávamos levando a velhinha ao consultório da dentista, duvidando que ela realmente conseguisse achar o lugar. Achou. Falou de umas netas que ela queria nos apresentar, despedimo-nos, nunca mais nos vimos. Mas às vezes eu me lembro das histórias dela, e achei que seria um bom nome para uma das velhinhas carolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto escrevia, porém, decidi que seriam realmente castas e religiosas, até sucumbirem aos pecados do orgulho e da inveja, ao final do conto. A Dona Olga era muito malandra para ser uma delas. Então, lembrei-me de uma poema do Dummond, "Casamento do Céu e do Inferno", que termina assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Que a vontade de Deus se cumpra!&lt;br /&gt;Tirante Laura e talvez Beatriz, &lt;br /&gt;O resto vai para o inferno."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi que Olga seria Laura, então. Só que fui incompetente na correção, e sobraram algumas Olgas. Beatriz sempre foi Beatriz, em homenagem à minha amiga Beatrice Neumann, que mora em Porto Alegre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Soró que eu mencionei é um grande amigo meu da faculdade de medicina, hoje é neurologista. Muita gente acha que o apelido dele deriva de um personagem de uma novela que passou nos anos 80, mas, na verdade, o nome do cara da novela é que foi inspirado no dele. É que na nossa classe havia a Carmela Negrão, filha do Walther Negrão, que escrevia e ainda escreve novelas para a Globo. Como vivíamos na casa deles, o Walther pegou o nome do Soró para o personagem, que autorizou, achando que se tratava de um privilégio. Mas acabou perdendo a propriedade do apelido, que ficou para sempre com o personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Antro mereceria um livro. Não vou nem começar, aqui. Esse é só um post meta-lingüístico. Em relação aos erros sem revisão, peço desculpa a todos os leitores desse blog. Quem quiser apontá-los, em comentários, não se avexe, estará fazendo um favor. Beijo a todos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115663372760013839?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115663372760013839/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115663372760013839' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115663372760013839'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115663372760013839'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/reviso-eu-nunca-reviso-o-que-escrevo.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115634597918533863</id><published>2006-08-23T08:02:00.000-07:00</published><updated>2006-08-25T19:08:05.450-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>História do Interior (parte 1)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As irmãs carolas Laura e Beatriz costumavam a sair de casa todas as madrugadas, garantindo um quórum mínimo para a missa das seis, mesmo em dias como aquela quinta-feira, em que a grama dos jardins estava branca de geada e a temperatura aproximava-se do zero.&lt;br /&gt; Estranharam o Maverick preto virando a esquina, num horário em que habitualmente os seus passos ecoavam solitários pelos paralelepípedos decadentes das ruas antigas da cidade.&lt;br /&gt; Ao contornarem a esquina da igreja Matriz, ainda puderam ver o carro arrancando, deixando para trás um vulto deitado na calçada em frente às escadas. Laura apertou com força o braço de Beatriz, e apressaram o passo numa mudez espantada.&lt;br /&gt; Descobriram o cadáver já enrijecido de um garoto com o rosto meio coberto pela jaqueta de couro, os lábios azuis entreabertos, emoldurados por um bigodinho ainda incipiente. &lt;br /&gt;Laura rezava para seus santos e Beatriz gritava para que o padre acodisse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correu gritando igreja adentro.  Entrou na sacristia com o desembaraço de assídua frequentadora, mas não encontrou o padre. Voltou correndo o quanto podia até a calçada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos! Temos que tirar o carro da garagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O carro era um Chevette vermelho que somente era posto em movimento nas ocasiões extremas. Até alguns anos antes, Beatriz ainda saía com o vermelhinho regularmente a fim de fazer as compras mensais no supermercado. Filas enormes de motoristas impacientes formavam-se atrás da destemida septuagenária motorizada, que enfim decidiu desistir das suas saídas, a pedido do prefeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apesar do carro estar parado há meses, o motor funcionou imediatamente, graças ao hábito que Beatriz cultivava: todas as manhãs, após a missa, deixava que o motor funcionasse alguns minutos, justificativa perfeita para que pudesse ouvir seu programa de rádio favorito, que juntava o jornalismo policial recheado pelas reconstituições de crimes com reportagens médicas financiadas por panacéias charlatanescas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Às duas senhoras não ocorreu telefonar à polícia ou ao hospital, ou mesmo pedir ajuda a algum vizinho. Imaginavam-se chegando à Santa Casa com o pobre defunto juvenil, misericordiosas, enérgicas  e triunfais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao retornarem à igreja, deram-se conta de que teriam de carregar o corpo para dentro do veículo.  Tentaram arrastá-lo, sem sucesso. Como Laura começava a sentir palpitações, entraram novamente no carro e foram recorrer ao Seu Arlindo, antigo capataz da fazenda de café que ainda àqueles dias prestava às duas senhoras pequenos serviços braçais, apesar de ter somente um dos braços, ironicamente. Nos idos da fazenda, havia um elevador no silo de café, que levava os grãos a um andar superior,  que emperrava com regularidade. Num desses episódios, Arlindo foi empurrar as correntes do mecanismo de um lado, enquanto um outro funcionário puxava as tais correntes do outro lado. Quando as engrenagens se soltaram, Arlindo foi puxado para dentro do mecanismo. A mão e boa parte de seu atebraço esquerdo foram perdidos no acidente. Apesar disso, continuou sendo uma pessoa extremamente prestativa. Com o braço direito e o que lhe restava do esquerdo, podia levantar mais peso do que a maioria dos homens. Mesmo a viola não deixou de ser uma de suas principais paixões: Arlindo aprendeu a fazer as posições com a mão direita e a percutir o ritmo com uma palheta presa a uma espécie de pulseira, que ele colocava no cotoco.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Àquela hora a casa de Seu Arlindo já estava acesa. Reconhecendo o som do Chevette vermelho, já estava à varanda quando Laura conseguiu estacionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, Seu Arlindo, corra que é caso de morte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Arlindo saltou para o banco de trás, enquanto Laura guiava cuidadosamente e Beatriz relatava a assombrosa ocorrência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Chegaram novamente à igreja com o Sol já dourando as escadas. Surpreendentemente, o cadáver havia desaparecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Minha mãe santíssima! – benzeu-se Laura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com muito jeito, Seu Arlindo sugeriu que talvez o defunto talvez não estivesse morto, esses meninos que não sabem beber às vezes vão parar na sarjeta, mesmo, mas de uma hora para a outra acordam…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Seu Arlindo, então eu não sei reconhecer um defunto? O coitado estava ali durinho, com o rosto coberto, bem morto, sim, senhor…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palpitações retornaram, e Laura começou a sentir desconforto. Beatriz reconheceu imediatamente os sintomas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Laura, acho melhor irmos até o hospital. Você está branca que nem uma cera!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nem pensar! Precisamos saber o que aconteceu com o nosso menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo não podia ficar assim. Laura sentia uma excitação que desconhecia desde os tempos de infância, quando a aventura fazia parte da sua vida rural. Já na casa dos setenta anos, tinha o humor azedo das viúvas virgens. Perdera o marido aos 19 anos, um ano após o casamento, vítima de uma picada de urutu-cruzeiro, no meio do pasto. É claro que a união se consumara fisicamente, mas não chegaram a ter filhos, nem tampouco chegaram a compartilhar verdadeira intimidade afetiva,  em tão breve convívio. Pelo, contrário: Laura temia as noites em que seu marido, um homem de poucas palavras e gestos grosseiros, decidia procurá-la no seu lado da cama para saciar-se rapidamente e então ressonar até a madrugada, quando levantava antes da primeira luz e, depois do café preto, saía a cavalo para verificar pessoalmente todos os detalhes da administração da propriedade. Quando enviuvou, Laura sentiu quase um alívio; em todo caso, mesmo após observar o luto rigoroso que os modos da época exigiam, nunca mais considerou nenhum pretendente. E não foram poucos, visto que fora uma moça que poderia ter sido considerada bonita, apesar de uma compleição um tanto frágil: tinha tez muito branca, como a de uma boneca, lábios borrados de vermelho como se tivesse acabado de chupar picolé de groselha, sempre, e uns olhos negros muito grandes e abertos. E, principalmente, tinha um dote muito atraente, vastas fazendas de café por todo o Paraná e São Paulo. Mas privou qualquer homem tanto de si quanto de sua fortuna, preferindo envelhecer dedicada à caridade e à igreja. Existência morna, sem grandes extravagâncias, agruras ou aventuras. Até aquela manhã.  Sentia calores estranhos e o cérebro reativando regiões há muito postas em repouso relativo pela esclerose e pelas isquemias transitórias. Demorou a admitir que era muita excitação para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acabaram convencendo-a. Seu Arlindo tomou a direção e rumaram à Santa Casa de Misericórida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••••••••••••••&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subiram a rampa do pronto socorro ameaçando atropelar alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acode, acode! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Laura foi posta numa cadeira de rodas, sob protesto. Ao deslizarem Pronto-Socorro adentro, deram com o padre Geraldo cercado de gente, no átrio. Policiais, os repórter da rádio, o correspondente do jornal de Curitiba, curiosos, todos rodeavam o padre, que contava como havia encontrado o corpo do guri, à porta da igreja, já azulado. Fazia um sorriso mal dissumulado e às vezes gesticulava para contar melhor como tinha conseguido arrastar o corpo até o Fusca da congregação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; As duas irmãs olhavam à distância, em silêncio. Depois de medida a pressão de Laura, retiraram-se rapidamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Vamos, Seu Arlindo, que isso aqui está um tumulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Cumprimentaram o padre friamente, com um aceno de cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;•••••••••••••••••&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No decorrer dos anos, o altar que Beatriz devotava a Nossa Senhora Aparecida foi ganhando importância na cidade. As irmãs organizavam novenas que chegavam a atrair comadres de cidades vizinhas. Seus quitutes eram comentados por fiéis de toda a parte. Começaram a realizar festas em benefício do orfanato que em nada deviam às quermesses da paróquia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nunca mais pisaram na igreja, alegando problemas de saúde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115634597918533863?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115634597918533863/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115634597918533863' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115634597918533863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115634597918533863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/histria-do-interior-parte-1-as-irms.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115600781825709223</id><published>2006-08-19T10:14:00.000-07:00</published><updated>2006-08-24T15:24:52.326-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/perro.9.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/perro.9.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;Saudades dos Meus Monstros e Vilões&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: Goya, "Perro en la Arena", 1821)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dos maiores desafios de ser pai é aturar os vídeos e programas infantis. No final do dia, quando chego em casa, é hora da Bebel assistir tv e relaxar. Afinal, ela teve um dia duro, envolvendo muito escorregador, trepa-trepa, balanço e areia. Aí eu chego e fico lá, assistindo com ela. Tem dias em que consigo furtivamente colocar o ipod e abrir um livro. Se ela percebe, lança sobre mim um olhar de censura, tira os fones dos meus ouvidos e deita sobre o livro. Como eu posso não me interessar pelo Barney??&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Barney é a atual paixão de Bebel. Pra quem não tem filho: trata-se de um tiranossauro camarada, meio gay, roxo e com uma dentição prognata de PVC. Passa no Discovery Kids, diariamente, e ainda tem uns dvds e cds como golpes de misericórdia. Bebel vê o dvd do Barney todos as noites, antes de dormir.  Já houve a época do Cocoricó, do Elmo, da Xuxa, atualmente a tortura é o Barney.  Não sei o que irrita mais, se é o dinossauro ou as crianças que o acompanham. Todas querendo ser pop stars infantis, fazem tudo demais: sorriem demais, gritam demais, são afetivos demais, dançam demais... Tem um moleque mais velho com cara de latino que é especialmente abominável. Já é crescidinho, é condescendente com os pirralhos mais jovens, e se acha! No dvd do Elmo tem também umas ciranças irritantes, um ruivinho CDF que faz as coreografias também com um rigor de menino-prodígio. Deve acreditar ser tão fofo quanto ouve dizer que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais irritante ainda que os pentelhos-prodígio são os roteiros: todo mundo é bonzinho! O Barney parece uma tia velha com os trejeitos do Dr. Smith de "Perdidos no Espaço". Mas bonzinho. O Dr. Smith era uma bicha má, fazia intrigas, sua ganância e egoísmo sempre acabava em encrenca. Naquele planeta hostil, provavelmente seria sacrificado pelo resto da tripulação, cedo ou tarde. Mas no Barney não tem vilão. Até o Lobo Mau é bonzinho! Barney ensina-o a soprar para encher um balão, ao invés de derrubar a casa dos porquinhos. Que horror... perdeu toda a graça. E, também, como as crianças vão aprender que a casa do Prático é mais segura porque ele é um cara mais trabalhador? Não vão. Depois de encher o balão, o lobo diz que tem fome, e Barney oferece-lhe um sanduíche de manteiga de amendoim.  No "Xuxa Só Para Baxinhos 2" também há um lobo vegetariano, que quer comer as "frutinhas" da Chapeuzinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esses roteiros são americanos, e americanos tendem sempre à correção política. O americano médio, que mora em Ohio, tem 1,7 filhos e come junk-food diariamente, não gosta de ver o Lobo Mau comer a vovozinha, metaforicamente. As histórias infantis clássicas são fruto da idade média européia, e são basicamente histórias de horror. Os contos de fada sempre têm um antagonista terrível e poderoso, para que o herói obtenha uma vitória que significa alguma coisa, eticamente. Quando o Barney dá o sanduíche ao lobão, tira qualquer possibilidade de um enfrentamento digno entre protagonista e antagonista. E a história fica inócua e chata, com todos se "amando" muito, sem começo, nem meio, nem fim... um amor mole e sem risco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os contos de fada mexem com coisas muito primitivas do ser humano, como medo, agressividade, amor, ódio, morte, erotismo. Usam uma liguagem simbólica que imprime profundamente no inconsciente das pessoas.  A Marilena Chauí, apesar de hoje estar passando por essa fase miserável e incongruente, fez aquela bonita análise sobre esse simbolismo, nos anos 80. Os americanos de hoje em dia não lidam bem com o conceito de inconsciente, têm a fantasia de que podem lidar com o mundo de uma maneira plenamente racional. Acreditam muito em "aconselhamento" psicológico, mais do que em psicoterapia, enxovalham o Freud o quanto podem, sempre que podem. Quando eu fazia faculdade em Boston, tive uma aula em que iríamos analisar um filme do Hitchcock, "Quando Fala o Coração", em que ele se aventura pelo mundo do inconsciente e da psicanálise - um roteiro tosco e pueril, é preciso dizer. Mas o filme fala do incosciente, de pacientes psiquiátricos, tem cenários do Salvador Dali para retratar os sonhos do personagem, é um filme sobre a mente e a neurose. O professor, então, antes de iniciar a projeção, fez uma preleção onde ele disse para que relativizássemos o que veríamos; que o filme fora produzido numa época em que ainda se acreditava nas idéias do Freud, antes que se verificasse que essa história de incosciente é, na verdade, "um meio de vida para um punhado de espertalhões em Park Avenue"...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o inconsciente não seja mesmo assunto para americano.  Incompatibilidade cultural. Como sexo livre não é assunto pra muçulmano fundamentalista. Psicanálise, como se diz de doenças de fundo genético, é pra quem pode, não pra quem quer. Mas não precisavam acabar com o antagonismo entre o Lobão e a Chapeuzinho. Isso eu acho demais. Um abuso. Esquecem-se da violência que há no coração de crianças pequenas. Ontem mesmo, a Bebel foi a uma festa de aniversário, e fez muito sucesso, com sua mini-saia Burbery's que a vovó deu de presente. Num certo momento, um menino e uma menina, mais velhos, cercaram a coitada e começaram a empurrar. Ela caiu de boca no chão, encheu de areia, os meninos continuaram a segurar sua cabeça, seu rosto encostado no chão. A Patrícia saiu correndo, deu um esporro sério nos garotos, em frente aos pais condescendentes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que você acharia se um cara bem mais alto que você, com o dobro do peso, o perseguisse pela rua, passasse uma rasteira em você e sentasse em cima do seu peito, depois saísse andando calmamente, furtando seus pertences mais valiosos? Isso aconteceu comigo quando eu tinha uns 6 anos. O Bolão roubou todas as minhas figurinhas do álbum de 1970, em plena luz do dia, e saiu andando calmamente pelo pátio do Grupo Escolar Hugo Simas. Ninguém levantou a voz ou a mão para defender a legalidade, naquele momento. O Bolão era filho de uma família rica de Londrina, eu cheguei a ser amigo de dois de seus irmãos. Mas o cara era um garoto-problema. Só arranjava confusão, desde uma idade muito precoce. Depois de dar muita cabeçada, achou-se, dizem. Foi estudar gastronomia, disseram que hoje é chef no Emiliano. Preciso ir lá, um dia. Descobrir uma barata na minha sopa e chamar a vigilância sanitária...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Também tenho ódio no coração. Todo mundo tem. Esse negócio de se esconder do demo não dá certo. Ganhei de dia dos pais a obra completa do Guimarães Rosa. No Grande Sertão:..., ele fala uma frase muito bacana: "quem muito se evita, se convive".&lt;br /&gt;No contexto, fala sobre um camarada que evitava o demo e ouvia as vozes dele nas capoeiras, a despeito dos cuidados. Rosa vai querer dizer que o Deus e o Diabo estão em todas as coisas, estão dentro das pessoas. São princípios simbólicos, não entidades reais. São figuras criadas pelos seres humanos para personificar coisas abstratas e fundamentais, o Bem e o Mal que subsiste em tudo, simultaneamente. Quando falamos do Lobo Mal, temos a oportunidade rara de confrontarmo-nos com o Mal no estado puro. Não temos de ponderar que se trata de um animal em extinção, cumprindo seu papel na cadeia alimentar, se é uma criança abandonada e criminalizada por uma sociedade hipócrita: trata-se de um assassino cruel que devemos eliminar a todo custo, para que a história acabe bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendendo muito de pedagogia, mas sinto falta dos bons e velhos maniqueísmos que faziam confiar no mocinho na primeira infância, identificar-se com o bandido na adolescência e libertar-se na vida adulta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115600781825709223?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115600781825709223/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115600781825709223' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115600781825709223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115600781825709223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/saudades-dos-meus-monstros-e-viles_19.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115557059801706867</id><published>2006-08-14T08:45:00.000-07:00</published><updated>2006-08-14T11:29:40.100-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/donne.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/donne.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tempo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: Marcel Duchamp, "Etant Donné", 1946-1966.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando minha mãe resolveu fazer uma arrumação na casa, recebi uns 300 discos de vinil que eu colecionei desde criança que estavam sob sua custódia. Saí à procura de um, como direi, "toca-discos", uma "vitrola", uma "pick-up" pra tocar esses discos que eu não ouvia há mais de 20 anos (argh!). Depois de algumas horas na Sta. Efigênia, perguntando e procurando, achei um negócio da China: um conjunto de duas pick-ups Technics Mk II, com cases profissionais, por um preço magnífico. Coisa de MC desiludido. Mas o cara só vendia o par...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei pro Jair, "Jaco! Achei um par de Mk II com case, o preço das duas juntas não dá pra pagar os cases! Aí, quer rachar comigo? Você fica com uma e eu com outra!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Jair: "Pô, Dimão, tô dentro, cara, demais!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu: "Legal, cara, fou fechar, então!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele: "Maravilha! Mas, Dimão, vem cá... o que que é MkII mesmo?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom haver confiança entre sócios. Isso foi há três anos. Instalei a coisa no meu home-theater, e o som ficou meia-boca. Tive a oportunidade de ouvir uma meia dúzia de velhos amigos de vinil antes que a Bebel nascesse e fosse instaurada a lei da mordaça. Depois disso, mudamos para um apartamento maior, e a pick-up não chegou a ser instalada, nem o home-theater. Nossa mudança foi meio intempestiva. Morávamos há uns 8 anos no Edifício São Carlos, na República do Líbano, bem em frente ao parque. Estávamos acostumados à vista das árvores, à vista da Paulista, ao sol alaranjado do final de tardes de verão, ao apartamento em si. Mas ficou miúdo, principalmente após a convulsão que a Patrícia teve no puerpério. Foi preciso contratar um babá para ajudar durante o dia, e aí ficou mesmo apertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vizinhos eram ótimos. Raramente os víamos, é um prédio de apenas 5 andares, dificilmente as pessoas compartilham uma voltinha de elevador. O Clodovil morava no térreo, é certo que é uma personagem polêmica, no mínimo. Mas a Dona Tereza era gentil e atenciosa. É a dona do prédio, praticamente. Seu pai o construiu nos anos 1940 ou 50, ela herdou metade do prédio, enquanto que a outra metade ficou com a segunda mulher do pai, fato que nunca aceitou com serenidade. Ao longo dos anos, Dona Tereza foi tratando de comprar os apartamentos que eram da madrasta, através de terceiros, e reintegrou quase todo o imóvel à sua posse. Quando estávamos quase abandonando o prédio, Patrícia teve uma crise de choro bem na frente de Dona Tereza, que se comoveu: ofereceu seu apartamento pessoal, que era maior e ocupava todo o 2º andar, para que ficássemos mais confortáveis. Infelizmente, recobrou o juízo depois de alguns dias, e voltamos atrás no negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabamos mudando para perto, mesmo, na Domingos Leme. Meio na correria. Nunca gostamos muito deste apartamento onde estamos. A proprietária é um "case" sem rodinha, uma maluca egoísta e cheia de Botox. Então, os quadros não chegaram às paredes, não fizemos as alterações, sentíamos como se fosse provisória, a nossa estadia. E não instalei minha Technics MkII.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a Bebel já vai fazer 2 anos, e ainda estamos entre as paredes nuas. Hoje resolvi instalar o toca-discos, pelo menos. A uma certa altura, toquei o Clube da Esquina 2, do Milton e mineiros associados. Esse disco a Silvinha Aguiar me apresentou no primeiro ano de medicina, em 1982. Eu morava numa garagem na Vila Clementino, alugada de uma Dona Carmen, muito simpática e maluca. A garagem era o reduto da galera caloura. Eu me lembro que o Clube da Esquina 2 era um disco velho, na época. Mas hoje vi na capa que ele é de 1978. Tinha 4 anos, só, em 82, e a gente achava muito antigo. Hoje olhos para os meus discos relativamente recentes e vejo que têm quase todos uns 10 anos de idade. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noção de tempo deve vir de uma relação que fazemos com o quanto já vivemos. Por exemplo: quando temos dois anos de idade, viver mais um ano é viver metade de todo o tempo que você já conheceu e concebeu durante sua vida. É uma eternidade. Quando temos 24 anos, um ano vale tanto quanto um mês para a criança de dois anos. Assim, em 82, os 4 anos do Clube da Esquina significavam para meus 17 anos da época tanto quanto 9,65 anos significam hoje para os meus 42...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esqueça a matemática. O que eu quero dizer é que a vida acelera. Isso todo o mundo percebe. Cada ano passa mais rápido, voa, todo mundo reclama. Quando estávamos esperando a Bebel, tinha a esperança de que criar um filho devia restabelecer o ritmo: perceber a vida pelos olhos da criança, ver como ela cresce e evolui, iria desacelerar a coisa. Mentira. Logo você é surpreendido de como seu filho cresce rápido, como aprende rápido, e acredita falsamente que as crianças de hoje são mais rápidas. É o seu tempo que anda mais rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez perguntaram ao Sto. Agostinho o que Deus havia feito antes da criação do Universo: ficou esperando sentado no nada? O santo ficou desesperado, atormentado que era com as questões sinucais da teologia. Depois de um mês dormindo mal, chegou à resposta: que o Tempo havia sido criado junto com o Universo. Antes disso, não havia "antes". Depois do fim do Universo, não haverá "depois". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo é presença. É vivência, mesmo que seja vivência de uma pedra ou de uma bola de gás Hélio. Se não houver ninguém ou nada para testemunhar, o tempo deixa de existir. O tempo não existe dentro de buracos negros, ele se apaga junto com a luz encarcerada, que não permite haver evidência das coisas. Tempo é memória. Quanto mais longa for essa memória, quanto mais extenso for o período vivenciado, mais rápido o tempo corre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É realmente melhor fazer uma canção...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115557059801706867?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115557059801706867/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115557059801706867' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115557059801706867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115557059801706867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/tempo-ilustrao-marcel-duchamp-etant.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115522122770847691</id><published>2006-08-10T07:46:00.000-07:00</published><updated>2006-08-10T09:43:59.633-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/untitled44.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/untitled44.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: Francis Bacon, "Untitled", 1944)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto a seguir é baseado num sonho que tive. Provavelmente, muitas pessoas vão pensar que eu preciso de ajuda, mas achei a história boa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Risoto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ele entrou em meu escritório, sua figura longelínea e expressão aguda pareceram-me familiares, de um modo perturbador, inexplicável. Tinha a propriedade de fazer com que as pessoas falassem mais do gostariam, que se expusessem de uma maneira mais pessoal à que normalmente se permitiriam. Por isso, por várias vezes flagrei-me contando tudo a meu respeito, enquanto que o homem assentia com um sorriso meio difícil de interpretar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao fim de uma hora de entrevista, sabia dele pouco mais que o nome - John Carlyle - e que era um artista plástico americano, supostamente de alguma importância em Nova Iorque. Queria que eu colaborasse com uma instalação de sua autoria, compondo uma música que serviria como trilha sonora para a obra. Não consegui extrair maiores informações nesse primeiro encontro, provavelmente pelo tanto que falei e o pouco que ouvi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvi pesquisar a respeito do meu cliente prospectivo. Fui até a casa de Beatrice, jornalista de caderno cultural e minha referência no mundo das "artes decorativas", como ela gostava de dizer. Apesar de já ser o fim da tarde, ela acabava de acordar, e tentava se recobrar da ressaca que a festinha da noite anterior proporcionara. Ao mencionar o nome do sujeito, ela recobrou imediatamente suas faculdades:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você conheceu "o" John Carlyle?&lt;br /&gt;- Humm, eu não sabia que ele era uma celebridade...&lt;br /&gt;- Mas ele é! Não acredito que você nunca ouviu falar nele! Em que planeta você mora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Admito ser meio desligado, mas achei estranho que não tivesse a mínima idéia de uma pessoa de tão aparente fama. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O cara foi um dos artistas mais importantes da era "pop", causou o maior furor no fim dos anos sessenta. Diziam que ele estava morando na Bahia desde há muito tempo, mas nunca ninguém viu. Você tem que me arranjar um encontro com ele!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de lá aproveitando um acesso de náusea da minha amiga, e fui para casa ainda mais intrigado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, fiz uma busca pela internet e encontrei vinte e uma páginas que faziam referência ao nome do artista. Realmente, ele andava sumido desde meados da década de setenta. Era considerado um gênio, por alguns, ou maldito, pela maioria, o mesmo estereótipo de sempre. Apesar de pertencer à geração que inventara a pop-art, criara seu próprio e estranho caminho, unindo sua arte à psicanálise e às viagens com ácido. Criara um método segundo o qual conseguiria prever as ações de uma determinada pessoa  mediante a observação escrupulosa de seu comportamento, estando sob o efeito do LSD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa página dedicada mais propriamente às ciências ocultas do que às artes plásticas, havia uma descrição bastante obscura do que teria sido sua última obra: segundo o relato, ele teria observado durante nove meses uma adolescente americana e concluíra que ela iria matar uma criança de 5 anos, sua vizinha. Teria se aproximado e seguido a adolescente durante mais sete meses, até a suposta consumação do crime. Documentou tudo com fotos de técnica duvidosa e uma crueza aviltante. Reconstituiu a cena do crime e convidou a adolescente para um jantar. Obteve mais fotos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num outro "site", dedicado principalmente ao sado-masoquismo  e a fetiches bizarros, diziam que o artista havia recuperado o corpo da vítima, que Jeniffer  -  este era o nome da adolescente assassina - deixara abandonado em um barranco e…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era horrível demais para ser verdade. Segundo o site, Carlyle promoveu um ritual canibalístico, onde a assassina comeu a carne do corpo da vítima sem que soubesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquilo era demais pra mim, mesmo considerando o lado mórbido da minha personlidade que o anonimato da internet deixava expressar-se. Mesmo que fosse mentira, uma lenda urbana ou invenção da escória meio demenciada que escreve nesses sites bizarros, aquela história causou-me uma repugnância incontrolável e um medo profundo…&lt;br /&gt;Desliguei o computador e resolvi evitar tudo o que poderia dizer respeito a esse homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive um sonho estranho, nessa mesma noite, em que um mendigo demente, desse tipo nudista, que anda pelas ruas falando coisas desconexas, atravessava a rua dançando na frente do meu carro e, com um caco de espelho, refletia a luz do Sol nos meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Patrícia ligou-me no celular, quando eu já estava a meio caminho de casa. Estavam no Spot, ela, sua mãe e uma amiga, para jantar. &lt;br /&gt; O trânsito da Av. Paulista fez com que eu chegasse alguns drinques depois do esperado. As duas senhoras, a essa altura, já chamavam a atenção de todo o salão para suas gargalhadas e seus brindes de coquetel de champanhe, observadas por Patrícia, entre constrangida e enxaquecosa.&lt;br /&gt; Ao passarmos do bar à mesa, John Carlyle acenou para mim, de um canto distante. As duas senhoras assanharam-se em perguntar quem era, mas eu não conseguia lembrar-me de quem se tratava, pois havia vários anos desde nossa entrevista. &lt;br /&gt; No momento em que o garçon nos ilustrava sobre os especiais do dia, um outro trouxe à nossa mesa uma badeja com novos drinques, oferecimento do misterioso homem que me acenara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Que gentileza!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Ele é um homem educado, Dimi. Convida pra sentar com a gente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não fiz a menor idéia de quem se tratava até Carlyle sentar-se à minha frente. Olhou-me com seu sorriso irritantemente seguro, e num instante senti meu estômago revirar como na noite em que descobri os aspectos bizarros de suas atividades. Ao lado de Carlyle, sentou-se uma menina muito jovem que - não havíamos notado - fazia companhia ao odioso artista. Essa garota, loura e franzina, jamais levantou os olhos em nossa direção. Escondia-se atrás de uma franja longa, através da qual sua maquiagem intrigantemente exagerada fazia-se notar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que se passou a seguir não faz parte de um mundo conhecido. Tudo parece muito confuso, e o entendimento que tive sobre o que ocorreu é mais baseado em sensações do que na memória de fatos objetivos. Veremos se consigo descrever.&lt;br /&gt; Durante toda sua permanência na mesa, a menina olhou para baixo, e não emitiu palavra. Não que alguém se importasse com isso, além de mim. De certa maneira, era como se ela não estivesse ali, já que não fora apresentada a ninguém, e ninguém fizera questão de falar com ela. Algo similar passou a ocorrer comigo, a partir do momento em que Carlyle monopolizou a atenção das outras mulheres da mesa. Eu procurava encarar a menina, ela não dava sinais de que percebia a minha insistência, somente olhava para baixo, inerme. Mesmo assim, eu tinha a sensação de reconhecê-la. Em um dado momento, lembrei-me: era a assassina juvenil de Carlyle, ainda com a aparência que tinha há quase trinta anos, e isso não me surpreendeu, por alguma razão, como também não me surpreendeu a chegada de nossa refeição, em bandejas cobertas; ao descobrirem-se os pratos, vi à minha frente um risoto esverdeado; enquanto todos riam sonoramente, provei do risoto, senti seu gosto incompreensível e tive certeza de tratar-se da mesma refeição canibal que Carlyle servira à moça em sua famosa instalação; fui até seu ouvido, e perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Por que você guardou isso para mim, durante tanto tempo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem desviar os olhos na minha direção, ele respondeu, sério e sereno:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Cuida de teu hálito, daqui por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Nesse instante, tive a compreensão de uma realidade inexprimível: eu era todas aquelas pessoas reunidas, Carlyle, a menina assassina, a criança morta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115522122770847691?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115522122770847691/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115522122770847691' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115522122770847691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115522122770847691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/ilustrao-francis-bacon-untitled-1944-o.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115483563712264429</id><published>2006-08-05T20:38:00.000-07:00</published><updated>2006-08-10T08:52:16.686-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/zucroq6.17.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/zucroq6.17.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: croqui de Zuzu Angel, 1970)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zuzu e a Ditadura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O país muitas vezes resiste em manter viva a memória da barbárie que foi o período de repressão que vivemos nos anos 60 e 70. Compreensivelmente, a gente quer esquecer o absurdo de um Estado governando com a "clava forte"; o terror da prisão, tortura e morte por motivos ideológicos; o silêncio dos homens e das idéias pela coação e o medo. Mas é preciso manter viva a lembrança do Inferno para que possamos ter percepção da Liberdade e da sua urgência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, quando surge um filme como "Zuzu Angel", tem que prestar atenção. Tem que dar importância. Mesmo se não fosse o bom filme que é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro-me vagamente da Zuzu. Quando morreu, em 1976, vi muitos intelectuais e artistas ultrajados, mas ninguém podia dizer claramente a razão do ultraje. Que era: Zuzu fora morta pela repressão ao final de sua luta por conseguir encontrar o corpo do filho Stuart, ativista político preso e morto no DOI-CODI em 1972, parece. Em Londrina, naquela época, tínhamos pouca noção da repressão. Sempre a TV Globo tentava mostrar algo que se referisse a Zuzu. No Jornal Hoje, havia uns especiais de moda em que lembravam dela. Eu não sabia direito quem era, e estranhava a importância póstuma que davam a essa estilista. Não tinha idéia da tragédia da vida dessa mulher. Sua filha, Hildegard, era da Globo. Era jornalista e atriz, e aparecia na novela Dancing Days como ela mesma. Isso em 78, dois anos após a morte da mãe, a dramaturgia da Globo ajudando a dar o destaque ao caso. Hoje, Hilde é colunista d'O Globo, e tem gente que mete muito o pau nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Londrina era assim: nas aulas de Educação Moral e Cívica da escola pública, eu aprendia que em 1964 havia ocorrido uma "revolução". Os termos "golpe militar" e "ditadura" nunca foram ouvidos. O Médici era um presidente de olhos profundamente azuis que gostava de futebol. Na TV, a propaganda oficial dizia que o Brasil era um país que ia "pra frente". "Ou, ou, ou, ou, ou...". (Agora me atino de um possível sentido obscuro dessa vocalização, quem for da época vai entender.) As pessoas tentavam levar uma vida pacata e apolítica. Algumas por medo, outras por convicção ou egoísmo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Houve uma vez em que deixei meu pai apavorado. Quando eu tinha uns 10 ou 11 anos, exatamente na época dessas barbaridades, fazia inglês numa classe de adultos, e o professor era um mórmon de Utah, o Lyle. Numa determinada aula, discutiu-se política trabalhista, por algum motivo, e Lyle discorreu sobre o sistema de "welfare" americano, comparando com o sistema soviético de seguro desemprego. Sua posição era obviamente pró-america, mas não deixou de falar coisas sobre o comunismo soviético que eu achei interessantes e novas. Um certo dia, pareceu-me pertinente citar essas informações numa redação da escola. Por sorte, talvez, minha mãe lia todas as minhas redações, e achou melhor mostrar essa ao meu pai. Ele leu e começou a gritar, dizendo que iríamos todos presos, que iria à escola de inglês espinafrar o professor, onde já se viu, expor uma criança a esse tipo de informação... Foi a primeira vez em que percebi o estado de censura e medo em que vivíamos. Nunca me passara pela cabeça a possibilidade de que minhas idéias, ou de qualquer outra pessoa, fossem passíveis de proibição. Eu chorei muito, com medo de que meu pai fosse preso por causa da redação. Ou que ele fosse até a &lt;br /&gt;escola de inglês e acabasse com o respeito que eu gozava junto aos meus colegas e professores. Rasguei a redação, e escrevi alguma outra coisa sem qualquer tom político. Naquela noite também ouvi pela primeira vez as palavras, "subversão", "doutrinação", "DOI-CODI". Meu pai era médico, e dava aulas de Endocrinologia na Universidade Estadual de Londrina. Muitos anos depois fiquei sabendo que, naquela época, vários professores sumiram, mesmo por pouca coisa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Dadado era meu melhor amigo. O Ica, irmão dele, era o melhor amigo do meu irmão. Eles tinham um monte de irmãs mais velhas, umas mulheronas, algumas já na faculdade, que eu cobiçava muito, platonicamente. Mas esse não é o ponto: um dia, o Dadado me chamou num canto, na casa dele, e mostrou um jornalzinho que ele tinha achado nas coisas de uma das irmãs. Acho que era um exemplar do Pasquim. Por ser clandestino, o jornalzinho permitia-se a publicar coisas que seriam censuráveis não necessáriamente por razões políticas. O que meu amigo queria mostrar era uma sequência de fotos que mostrava uns moradores de rua transando. "Transando" é um eufemismo barato: mostrava um mendigo chupando uma mulherzinha em plena calçada. Aí chegava outro mendigo, brigava com o primeiro, e supostamente ganhava o privilégio de continuar chupando a moça. Eu achei muito interessante o sorrizinho dela, lembro até hoje. Na verdade, eu nem sabia que aquilo lá era uma coisa desejável. Pareceu meio nojento. Mas havia também uma outra matéria, com fotos de tanques dispersando uma manifestação na Cinelândia. Estudantes sendo presos e espancados a cacetete. Eu nunca tinha houvido falar daquelas coisas. Naquela época eu já havia aprendido a ficar na moita, em relação àqueles assuntos. Não comentei nada em casa, mas aprendi que havia coisas violentas acontecendo em outros cantos do país de que a gente não tinha a menor notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A censura era uma coisa insana. Os milicos não se limitavam a censurar as obras e reportagens de cunho político, mas riscavam do mapa, também, peças que atentavam contra seu senso de decoro. Não se podia falar palavrão. Revista de mulher pelada, então, nem se fala. Minha puberdade foi abastecida pelas "Status" que só podiam mostrar peitinho. Isso talvez tenha estimulado minha criatividade erótica: hoje eu sou capaz de despir mentalmente uma mulher com um olhar de relance. Gesthalt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu me mudei para São Paulo, em 1981, comecei a ouvir falar em "abertura". Um monte de exilados políticos voltava ao país, gente de quem eu nunca tinha ouvido falar, mas que a mídia tratava com intimidade. Fundou-se o PT. Em 82 eu entrei na Escola Paulista de Medicina que, por ser federal, tinha um escritório do SNI, ainda, com um coronel que andava sempre de óculos Ray-Ban e fingia ser discreto. Na minha turma tinha até um agente infiltrado, o "Pom-Pom", que todo mundo sabia que era informante. Quando a gente fazia greve, eles ficavam fotografando a gente com uma teleobjetiva, lá da janela do escritório deles. Uma vez, eu e uns amigos fizemos um "bundão" pra foto. Espero que tenha ido pra minha ficha no SNI. Enfim, já eram tempos mais relaxados, em que o Figueiredo, meio embaraçado, promovia a desarticulação do sistema de informação e repressão da ditadura. Fizemos campanha na primeira eleição para governador desde o golpe, participamos do "Diretas Já"... Éramos todos socialistas de coração, mas não sentíamos muito risco nisso. Acho que foi o Paulo Francis quem disse que quem não é comunista aos 20 anos não tem coração. E quem continua socialista aos 40, não tem cérebro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em meio a tudo isso, fiquei sabendo de atrocidades cometidas pelo regime autoritário com gente muito próxima, que vinha de famílias socialistas. Havia fofocas sobre professores colaboracionistas. Sobre um dos professores de Medicina Legal ter sido atuante nas sessões de tortura do CODI. Por essa época, a ditadura e a repressão dos anos 70 ficou muito mais clara, para mim, mesmo que retrospectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino a tragédia de Zuzu Angel como sendo a claustrofobia transformada em vida, uma perseguição por algozes sem rostos definidos, por assassinos que extinguiram o que há de mais querido e frágil na vida de uma mãe, a prole. Zuzu deve ter sido uma pessoa especialíssima, que conseguiu lidar com essa claustrofobia de uma maneira ruidosa, extrovertida, denunciante, corajosa. Mesmo que dissesse, como dizia: "corajoso foi meu filho, eu tenho somente legitimidade". Sua história é para ser contada a todos, por muitas gerações, para que não nos esqueçamos do horror.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além dessa história trágica e magnífica, uma das melhores coisas desse filme é a Patrícia Pillar, que inunda a tela consigo sem fazer muita força. Uma interpretação de cinema, como nunca vi de um ator brasileiro, talvez, sem os excessos do teatro nem os estereótipos da tv. Leandra Leal também tem uma energia muito boa, e também o Daniel de Oliveira. O restante das atuações é meia-boca. O filme tem seus problemas. Mas eu tenho que relativizá-los, já que me fez arrepiar e chorar por duas horas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115483563712264429?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115483563712264429/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115483563712264429' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115483563712264429'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115483563712264429'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/ilustrao-croqui-de-zuzu-angel-1970.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115478364415386322</id><published>2006-08-05T06:12:00.000-07:00</published><updated>2006-08-10T08:57:33.530-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/180px-Face_Christopher_Columbus.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/180px-Face_Christopher_Columbus.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: Cristóvao Colombo, sec. XVI, autor desconhecido)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A HISTÓRIA DO SAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história do sal provavelmente veio trazida por mouros que contaminaram a Andaluzia com suas coisas orientais muitos séculos antes que meu avô a ouvisse contada pela sua mãe. Foi sendo passada de uma geração à seguinte, sempre com sabores renovados pela boca de quem a contou,  que um ponto acrescentou, ou omitiu, ou variou. Minha avó materna contava histórias com inflexões virtuosísticas que, se empolgavam os ouvintes e enchiam a sala de cores, sons, cheiros e personagens, ao mesmo tempo garantiam que a história contada pertencia ao mundo da ficção. Provavelmente foi com esses recursos que contou a história do sal à minha mãe, que tinha um jeito mais distanciado, quase científico, de contar histórias. Essa maneira, embora oferecendo espetáculos menos grandiloquentes, deixava a gente com uma sensação de que aquilo realmente tinha acontecido numa época antiga, num reino distante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era uma vez um reino distante. Havia obviamente um rei. Esse monarca, após a decapitação de várias esposas, conseguira gerar três descendentes homens com uma camponesa que fora ao baile sem convite. Num episódio não muito bem esclarecido, a moça conseguiu burlar o esquema de segurança e aproximar-se do então príncipe utilizando um ardil que envolvia abóboras, animais domésticos e um determinado sapato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A camponesa, ao tornar-se rainha, deixou-se levar por caprichos rastaqüeras. Num par de décadas conseguiu endividar o erário, através de infindáveis redecorações dos palácios e da aquisição de vestidos, sapatos e bolsas preciosos. De tudo isso, separou sua comissão, fazendo secretamente uma reserva particular em bancos sigilosos da europa central.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o primogênito atingiu a maioridade, a situação econômica ainda era razoável. O rei, então, ofereceu-lhe uma esquadra fortemente armada e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai, filho, navega os mares e traz toda a riqueza que puderes carregar contigo. Faz isso para celebrar minha glória e meu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar da fanfarronice evidente no discurso do pai, o primogênito singrou mares, conquistou territórios, contactou civilizações até então desconhecidas, guerreou, saqueou, comprou e vendeu; ao cabo de um ano voltou ao reino com seus navios abarrotados de ouro e pedras preciosas, tanto que uma das náus acabou por adernar à entrada do porto, e foi a pique. O tesouro permaneceu no fundo do canal, em profundidade que desafiava a tecnologia da época. Vários aventureiros voltaram à tona afogados ou com os tímpanos estourados pela pressão, espumando de embolia. O navio repousou no fundo da baía durante muito tempo, até a chegada dos holandeses, mais de um século depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rainha, entusiasmada com o novo afluxo monetário, empenhou-se então na construção de um palácio das artes na região montanhosa do país, que seria destinado a abrigar o repertório operístico de um compositor muito em voga na época. O terreno acidentado dificultou sobremaneira o empreendimento, que superou em muito o prazo previsto inicialmente. Mesmo depois de 10 anos do início das obras, o teatro ainda funcionava de maneira precária, sem os recursos hídricos – que incluíam chuvas reais, rios de água corrente e uma queda d’água de mais de 100 metros - em plena operacionalidade, além de apresentar falhas técnicas constrangedoras no mecanismo de abertura do teto lunar, que utilizava uma parelha de 200 cavalos. Dizia-se à época que a rainha e o tal compositor tinham um relacionamento que transcendia a fruição artística e, de fato, anos depois, quando o reino já entrava numa fase de profundo endividamento junto aos banqueiros internacionais, fugiram do país levando consigo pouco além dos códigos das contas numeradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À época da maioridade do segundo filho, porém, o teatro entrava no terceiro ano de construção, e a dívida pública ainda era administrável. Assim, o rei ofereceu-lhe uma esquadra não tão grande como a do primogênito, nem tão fortemente armada, mas bastante razoável, e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai, filho, navega os mares e traz toda a riqueza que puderes carregar contigo. Faz isso para celebrar minha glória e meu poder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, apesar das limitações de seu equipamento bélico, o segundo filho singrou mares, conquistou territórios, conheceu civilizações remotas, guerreou, saqueou, estuprou, comprou e vendeu, negociou e chantageou. Ao cabo de três anos, retornou ao reino com uma considerável fortuna em ouro e pedras preciosas, que encontrou destinação imediata junto aos credores internacionais, que já então ameaçavam o país com sanções. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O terceiro filho chegou à idade adulta quando sua mãe já havia fugido com o compositor, e o país sofria a recessão e o desemprego. O novo ministro do tesouro, renomado teórico da macroeconomia, impôs uma política de despesas austera que, se por um lado conteve a inflação do período anterior, matou de fome e outras doenças um terço da população. Nessa conjuntura, o rei ofereceu ao último dos filhos um barco em estado precário, que se encontrava pendurado no porto com a água invadindo os porões até quase o nível do convés. O terceiro filho, então, conseguiu reunir uma tripulação de três marinheiros recrutados com promessas de ouro e pedras preciosas. Quando recuperaram a sobriedade, já em alto-mar, tiveram de conformar-se em drenar os porões com latas de meio litro, tarefa que consumiu as duas primeiras semanas de navegação. Não foram muito felizes em suas primeiras incursões em terra: em Macau, foram expulsos pelos portugueses e somente escaparam com vida graças à intervenção de uma esquadra inglesa, que se interpôs no caminho, provocadora. Na micronésia, foram capturados por uns selvagens canibais, e escaparam da refeição pela intervenção de um padre jesuíta que vivia na ilha há muitos anos, tentando trazer os nativos à fé cristã. Sua estadia na ilha foi breve, mas conseguiram tempo e material para calafetar os vazamentos do casco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por onde navegavam, tudo parecia ter sido já explorado. O mundo inteiro já tinha dono: os holandeses no sul da África e nas Antilhas, os ingleses em Borneo, franceses na Indochina,  portugueses em Calcutá e no Japão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de alguns anos, a tripulação estava a ponto de desistir, castigada pelo escorbuto e o beri-beri. Quando o motim parecia inevitável – o capitão já tinha seu imediato na mira da pistola – avistaram ao longe um ilha muito branca e brilhante. Quando aportaram, descobriram tratar-se de uma ilha totalmente constituída de sal, descoberta bastante decepcionante para todos à bordo. O terceiro filho, após refletir por alguns momentos, ordenou que carregassem o navio completamente com sal. Tal decisão deflagrou a discussão que culminou com a morte do imediato. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Serenados os ânimos, partiram ao sabor dos ventos, tentando achar terras mais promissoras, principalmente porque o suprimento de água começava a escacear. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase um mês depois, começaram a ver algumas aves sobrevoando o navio; depois de alguns dias, viam sinais de plantas terrestres nas águas. Acabaram avistando uma ilha muito verde, com sinais de civilização. Foram acompanhando a costa, até avistarem um porto. Evitaram uma aproximação frontal, aportando numa praia deserta onde desembocava um riacho. Saciaram a sede de semanas, mas mesmo assim os dois tripulantes não conseguiram ânimo para acompanhar o terceiro filho na incursão pelo interior. Após enveredar pela mata durante algumas horas, alcançou um caminho batido, ao longo do qual as cabanas foram ficando progressivamente mais frequentes, até que chegou ao muro da cidade. Curiosamente, não encontrou viva alma durante o percurso, tampouco nos portões da cidade. Seguindo a arquitetura radial das ruas, foi aproximando-se do ruído da multidão reunida na praça central. Misturou-se à população a tempo de presenciar o carrasco baixar seu machado sobre o o pescoço de sua vítima infeliz. Ao indagar aos populares do que se tratava, soube que aquele fora o décimo cozinheiro a ser executado por não agradar ao paladar do rei. O terceiro filho intuiu naquele fato uma oportunidade.  &lt;br /&gt;Ainda naquela tarde, conseguiu penetrar nas cozinhas reais, misturado aos fornecedores. O jantar estava sendo executado sob os ciudados de um novo cozinheiro que dava ordens com ares desesperados. Ao fundo da cozinha via-se um altar com várias velas acesas, e no pátio externo diversos animais haviam sido sacrificados em honra de várias divindades incoerentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando teve oportunidade, o terceiro filho aproximou-se das panelas, e ousou provar do sauce bernaise: faltava um pouco de sal, mas a textura e a concentração do estragão estavam corretas. Ao provar a bouilleabasse, novamente notou a ausência do sal. Tal fato repetiu-se no borsh, nos blinis, na feijoada, na moqueca, no pad-thai, no polpetone com pappardelle al ragu, na bisteca grelhada: não havia sal naquela comida! Era esse o problema do rei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem refletir muito sobre tal ignorância culinária, o terceiro filho cruzou novamente os limites da cidade e foi até o navio. Encontrou os dois sobreviventes da tripulação amasiados às nativas, que eram muito lúbricas, de cabelos muito longos e negros, mas também muito asseadas, chegando a tomar até onze banhos de rio diariamente. Refestalados com suas amantes, saciados pelas frutas tropicais e a caça fácil, os tripulantes somente esperavam que a mandioca fermentasse para que então somassem o etilismo aos prazeres que ora desfrutavam. Tanto que não perceberam a visita que o terceiro filho fez à náu, de onde saiu carregando uma pequeno saco de couro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao retornar ao palácio, o jantar já havia sido servido. A voz do rei ecoava pelas galerias, furibunda. O terceiro filho aproximou-se da sala de jantar. A mesa magnificamente posta tinha aproximadamente dezoito pratos; todos haviam sido recusados pelo monarca. Prostrado ao chão, num choro deseperado, o cozinheiro tinha já o pé do carrasco sobre o seu pescoço, imobilizando-o. O rei esbravejava ainda a respeito de seu tédio gastronômico, até que deu a ordem da execução. Nesse momento, o estrangeiro invadiu a sala e, com grande desembaraço, demonstrou as vantagens culinárias do sal que levava no saquinho preso à cintura. O rei provou do beouf-bourgignon, agora com a quantidade apropriada de sal, e seu semblante iluminou-se; a galinha à cabidela foi devorada sem a mínima etiqueta; o risotto à milanesa não resistiu mais que minutos. Ao chegar à mousse de chocolate, entendeu que uma pitada só seria mais que suficiente para cada quilo de açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rei ficou gratíssimo e trocou todo o sal que havia no navio por ouro e pedras preciosas, na proporção de três para um. Assim, o terceiro filho retornou à sua terra com três náus abarrotadas de preciosidades, as duas outras pilotadas por seus tripulantes, que acederam em voltar ao reino de origem caso pudessem levar consigo seis ou sete das suas esposas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao adentrarem o porto, foram recebidos em festa por uma população combalida pela pobreza e um ciclo de pestes que dizimara muitos dos seus, incluindo seu pai e seu irmãos mais velhos. Assim, o terceiro filho foi aclamado o novo rei. Aplicou sabiamente os recursos que trouxe de além-mar. Em poucos anos, o reino voltava a prosperar. Todos viveram felizes para sempre.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115478364415386322?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115478364415386322/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115478364415386322' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115478364415386322'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115478364415386322'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/ilustrao-cristvao-colombo-sec.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115475526553257467</id><published>2006-08-04T22:20:00.000-07:00</published><updated>2006-08-10T09:01:11.256-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/chagal3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/chagal3.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: Marc Chagall, "I and the Village", 1911.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Avô e o Mistério da Quiromante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na noite que antecedeu a cirurgia de meu avô, coube a mim a vigília no quarto do hospital. Isso ocorreu por falta de parentes mais velhos que estivessem em condições de suportar o pequeno sofá que servia de cama aos acompanhantes. Minha avó já não conseguia controlar as históricas dores da coluna, e foi dormir em meu apartamento com aparente relutância e verdadeiro alívio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meu avô estava medicado com drogas que excitavam seu cérebro. Isso, combinado com a ansiedade, o fazia eloqüente e insone. Nessa noite, contou-me grande parte da sua vida, incluindo um segredo que todos da família sempre quiseram saber, mas que ele nunca havia contado a ninguém: o segredo da quiromante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; José Lopez Lopez - esse era o nome de meu avô - sempre fora um homem supersticioso, apesar de sua reconhecida inteligência. Confiava em presságios e agouros que a todos pareciam arbitrários, como no caso das abelhas: dizia que abelhas traziam boa sorte. Na casa da fazenda Maria Antonieta, por exemplo, o porão fora invadido e colonizado por abelhas europa que, com o passar dos anos, formaram uma imensa colméia. Mais de um funcionário teve a idéia de exterminar os insetos, mas ele nunca permitiu, dizendo que abelhas europa são dóceis. De fato, na mesa da cozinha, as tais europas ficavam entretidas com o melado que a cozinheira servia no café da tarde, e meu avô chegava a acariciar seus dorsos com o polpa dos dedos, sorrindo e incitando-me a fazer o mesmo. Eu acreditava que elas gostavam dos afagos, mas não me arriscava a imitá-lo. De noite, com todos dormindo e a casa silenciosa, eu ouvia o zumbido da colméia, atarefada em seus afazeres misteriosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A partir de determinada época, abelhas africanas começaram a proliferar pelo Brasil. Contavam que uns cientistas ou apicultores, não sei ao certo, haviam importado algumas colméias da África, e que haviam deixado escapar alguns enxames. Em poucos anos, tornaram-se raras as abelhas europa puras; a miscigenação com as agressivas africanas foi quase total. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Numa época em que a fazenda Maria Antonieta já havia sido vendida há muito tempo - e o destino da colméia do porão já não era mais assunto da família -, meu avô andava sozinho de carro, numa outra propriedade, orgulhando-se da plantação de soja. Num determinado momento, um enxame das infames africanas invadiu o carro e cobriu seu corpo. Ele ficou imóvel o quanto pode, mantendo a calma. Mas as abelhas começaram a picar, mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Chegou ao hospital de uma cidade vizinha já em coma. Salvou-se. Somente no braço direito, as enfermeiras contaram mais de trezentos ferrões. Depois disso, perderam a conta. Apesar de tudo, considerou-se sortudo por ter sobrevivido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - Nunca dê trela a conversa de cigana!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Esse era o conselho que meu avô dava, quando a conversa tocava no assunto, corrompendo seu bom humor habitual e tornando-o muito sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ele era natural de Almeria, cidade pobre do ressequido sul da Espanha do início do século, e provavelmente conhecera ciganas de um tipo que já não existe mais, cheias de magia e feitiços verdadeiros, e truques difíceis de desvendar. Quando criança, antes que ele emigrasse ao Brasil, uma cigana pegou-o pelo braço durante uma festa de santo e leu sua mão sem cobrar nada. Mas disse tudo o que viu: três desgraças iriam acontecer durante sua vida. E nomeou-as.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Meu avô contava que duas daquelas desgraças já haviam acontecido, mas ele não dizia do que se tratava. A terceira, que o assombrou a cada dia durante toda a sua vida, ele não contava nem sob a tortura infligida pelos netos perguntadores. Isso era tudo o que sabíamos sobre as predições da cigana de Almeria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No quarto do hospital, os visitantes já haviam ido embora, com olhos brilhantes e os sorrisos estreitos de preocupação. Estávamos a sós, eu e meu avô. Ele começou a me fazer perguntas, tentando recuperar a intimidade consumida pela minha adolescência e pelo distanciamento geográfico: eu deixara Londrina havia uma década, aos 16 anos. Orgulhoso, perguntou-me sobre minha graduação em medicina; agastado, sobre minha desistência dessa profissão; incrédulo, sobre meus planos como músico; preocupado, sobre o meu casamento, que seria realizado no mês seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A noite quente chegava, trazendo uns incômodos cupins alados que rodeavam as lâmpadas do quarto de hospital, arruinando a imagem de assepcia do estabelecimento. Os ruídos moles da noite de domingo chegavam ao nosso quarto, indecisos como a vontade de continuar a vida no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Eu dei muita sorte nessa vida – disse-me, ao final de um silêncio provavelmente longo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Compreendi sua necessidade de continuar conversando. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Por que o senhor diz isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É o que eu sinto, depois de tudo. Que eu dei muita sorte. &lt;br /&gt;Onde eu ganhei dinheiro, mesmo, foi comprando e vendendo terra, momentos de sorte. O resto foi muito trabalho e pouco dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seguiu-se um longo silêncio, e achei que ele adormecera. Repentinamente, ele abriu os olhos e continuou a falar, numa euforia meio entorpecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhava para a gota que caía do invólucro plástico do soro na cânula que ia até o átrio do seu coração, e imaginava que tipo de droga poderia haver naquela poção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A enfermeira da noite entrou. Apresentou-se e fez seu discurso padrão de hospital de luxo. Notando uma certa impaciência nos seus interlocutores, ajustou as bombas de infusão, entregou alguns comprimidos e voltou ao posto de enfermagem, ligeiramente preocupada com seu carisma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vários cupins jaziam no chão do quarto, e muitos outros continuavam circundando a lâmpada do teto. Os ruídos da noite exterior tornavam-se cada vez mais suaves e as luzes do hospital eram apagadas progressivamente, deixando os corredores a mercê das lâmpadas de emergência e dos relógios de ponteiros grossos e quase retangulares, que se movimentavam aos saltos de um minuto, sincrônicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Depois de um daqueles silêncios:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Mas eu sei que não vou morrer hoje. Ou melhor, amanhã, nessa cirurgia. É muito triste, mas eu sei que não é minha vez, ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura, eu já duvidava do seu estado de conciência e não tinha certeza se deveria estimular a conversação; mesmo assim, perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por que, avô?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Porque a cigana me disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maldição da quiromante... Ele estava prestes a revelar o segredo que escondera de todos durante toda a vida. Um estranho temor fez-me desejar que não tocasse nesse assunto, no leito do hospital, à véspera de uma cirurgia de tamanho risco. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quando eu era menino, em Almeria, uma cigana leu a minha mão. Nunca deixe uma cigana ler a sua mão…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contava a história como se fosse a primeira vez. Eu o deixava contar, esperando, intimamente, que adormecesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A tal da cigana me contou três coisas que iam me acontecer na vida… três coisas ruins…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Que tipo de pessoa aterroriza um menino pobre de dez anos de idade com uma sentença que o perseguirá o resta de sua vida?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A última ainda não se realizou. A pior delas: que sua avó iria antes de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um arrepio percorreu-me o corpo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por isso, eu sei que não vou morrer agora… &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E suspirou, de um jeito muito sôfrego. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sentia um desconforto profundo em saber, finalmente, qual era a maldição da quiromante. Cético, eu não confiava na imunidade que ela conferia ao meu avô, pelo contrário, preocupava-me sua disposição em revelá-la naquele momento tão crítico. A revelação do seu segredo mais escondido tinha um tom de desespero. Ou, melhor: denunciava um medo de morrer muito sério e fundamentado. Na verdade, seu espírito estava muito vulnerável naquele momento e ele lançava mão de todos os recursos para dialogar com a morte, que rondava por ali e provavelmente contaminava todos os seu pensamentos. Continuamos a conversar durante toda a noite, os cupins voadores foram caindo um a um, até não haver sobrevivente; a enfermeira entrou algumas vezes de forma burocrática, sem interromper nosso diálogo; o sol foi nascendo vermelho e já quente, os ruídos da manhã de segunda feira foram preenchendo a solidão da noite passada em claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cirurgia foi bastante complicada, sua condição cardíaca era bastante precária: diabético, chagásico, sofreva uma séria de infartos relativamente extensos, havia várias lesões nas coronárias… Os médicos foram cautelosamente pessimistas. Não esperavam que fosse possível uma recuperação depois da série de intercorrências graves que houve, e dos procedimentos extremos que se fizeram necessários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na U.T.I., porém, recuperou-se de maneira surpreendente. Conseguiram retirar um balão que havia sido instalado na sua aorta, que auxiliava sua hemodinâmica. Foram reduzindo suas drogas e, quando tiraram os tubos o auxiliavam a respirar, suas primeiras palavras foram para que lhe trouxessem água com gás. Isso era um bom sinal, pois uma das maiores crenças de meu avô é de que a qualidade da água é fundamental para a saúde em geral. A água com gás grantiria a procedência da água mineral, excluindo a possibilidade de ser da torneira. Ele estava disposto a sobreviver, então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi sobrevivendo. Começou a receber visitas, principalmente do meu pai, seu genro, ou ex-genro, que era médico e transitava pela U.T.I. com mais desenvoltura que os outros parentes e sabia traduzir com mais precisão o linguajar clínico. Foi numa dessas visitas de meu pai que foram levantar um pouco o encosto da cama do Sr. José, para que ele tomasse um chá com torradas, uma grande evolução na sua dieta pós-cirúrgica. A mudança de plano, depois de tanto tempo na horizontal, foi suficiente para desprender um trombo da veia cava, provavelmente formado durante os meses que ficou internado anteriormente à cirurgia, e ele morreu instantaneamente de embolia pulmonar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentimos muito sua falta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115475526553257467?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115475526553257467/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115475526553257467' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115475526553257467'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115475526553257467'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/08/ilustrao-marc-chagall-i-and-village.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115435077074535638</id><published>2006-07-31T05:48:00.000-07:00</published><updated>2006-07-31T14:04:11.636-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os Prazeres e os Riscos: Parte III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Clique para ampliar!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/calvin970122.gif"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/400/calvin970122.0.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115435077074535638?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115435077074535638/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115435077074535638' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115435077074535638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115435077074535638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/os-prazeres-e-os-riscos-parte-iii_31.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115426036166689684</id><published>2006-07-30T04:50:00.000-07:00</published><updated>2006-08-10T09:12:39.973-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/mmsdechirico.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/mmsdechirico.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: De Chirico, "Melancholy and Mistery of a Street", 1913.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Insetos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto mirava o vaso com  o seu jato incerto, o formiga tentava imaginar nua a louva-a-deus que o esperava no balcão. Reflexivo, dava-se conta de que sempre gostara de mulheres altas, mas acabara casando com uma formiguinha brevilínea. Tanajura de boa bunda, mas pequena e acanhada, só se via brilho nos olhos se fosse para falar de doença. Então, punha-se a descrever casos clínicos da família, da vizinhança e das celebridades da TV, tecia impressões sobre novas modalidades terapêuticas e orientava quem precisasse ou não dos seus conselhos paramédicos.&lt;br /&gt;Abriu a porta do banheiro e inspirou aliviado a atmosfera sórdida do bar. Cambaleou em direção à deusa, que brincava com o gelo do seu uísque, introspectiva, os cotovelos apoiados no balcão. Isso fazia das suas costas, imensas e brancas, intermináveis, expostas pelo decote do vestido de veludo verde escuro. Foi se aproximando com um sorriso meio demente, julgando-se superior aos homens de todo o mundo, que não tinham a chance de estar ali com aquela fêmea cinematográfica. Seu estado de embriaguez impediu que formulasse com clareza a questão, mas um esboço de raciocínio atravessou sua mente otimista: por que ele?&lt;br /&gt;A louva-a-deus recebeu-o com um sorriso de olhos verdes apertados:&lt;br /&gt;- Pensei que tivesse fugido pela porta dos fundos...&lt;br /&gt;- Demorei, é? O banheiro estava mais concorrido que velório de político.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela riu. Era deslumbrante quando ria. Ele sorriu de volta, aliviado pelo sucesso da piada.&lt;br /&gt;- Mas então você é amigo da cigarra? &lt;br /&gt;- Ah, sim. Fomos mais que amigos, eu poderia dizer – e já havia dito, tentando impressionar.&lt;br /&gt;- E você não a via há muito tempo...&lt;br /&gt;Claro, desde que ela se tornou uma pop-star, meu acesso ficou um pouco restrito. Como a fama muda as pessoas, não? Um pouco de sucesso, sei lá, não quinze, mas uns vinte minutos de fama já são suficientes para uma pessoa mudar de círculos, rodeada de acessores e porta-vozes. E gente que gosta de viver das migalhas da fama alheia não falta, por aí – disse, despeitado. &lt;br /&gt;E contou como havia encontrado com a cigarra por acaso, naquela tarde. Ele passava em frente à porta de uma loja elegante quando a estrela saía esbaforida, envolta em sacolas de griffe e gente que orbitava seu sucesso. Trombaram, algumas sacolas caíram, e os seguranças já tentavam afastá-lo quando reconheceram um ao outro. Constrangida e surpresa, a cigarra acabou convidando-o para um almoço rápido, ali mesmo no shopping. Cada um com sua bandeja de fast-food, foram sentar-se numa mesa mais afastada da praça de alimentação, com os seguranças a uma distância respeitosa. Alguns fãs a reconheciam de longe.&lt;br /&gt;- Parece incrível mas hoje em dia é quase impossível vir fazer compras como qualquer pessoa.  Há anos eu não vinha aqui!&lt;br /&gt;- Tudo tem seu preço – disse o formiga, desembrulhando rancorosamente seu hambúrguer. A cigarra ficou em silêncio, limitando-se a dar uma garfada no seu salmão com salada.&lt;br /&gt;- Quanto tempo, hein? – falou a estrela, finalmente, tentando direcionar a refeição para a trivialidade.&lt;br /&gt;- Para mim parece que foi ontem que nos vimos pela última vez. É claro que você estava menos maquiada. E usava menos ouro.&lt;br /&gt;- Você casou, não é? – tentou a cigarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora foi a vez do formiga calar. Depois de alguma mastigação, teorizou:&lt;br /&gt;- Acho que consegui definir o que a gente reconhece visualmente como uma “perua”.  São mulheres de meia idade de biótipo mediterrâneo, mas o cabelo pintado de louro, e o rosto emoldurado por colares e brincos muito dourados. Umas morenaças em molduras barrocas, é isso, tentando negar a estirpe. Uma coisa meio etnocêntrica...&lt;br /&gt;- Olha, se você vai continuar me provocando...&lt;br /&gt;- Calma, calma, não estou falando de você, não, sua perseguida. Se bem que seus brincos realmente me chamaram a atenção. Eu prefira seu estilo de anos atrás, quando você ainda não se dava a esse tipo de exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cigarra, distante, esboçou um sorriso para seu salmão grelhado. Há poucos anos ela não teria a opção de usar ou não brincos como aqueles. Não usava nada, pois mal tinha o que comer. Hoje talvez estivesse perdendo a crítica, e realmente tinha que tomar cuidado com a aparência, afinal ela era uma figura pública e grande parte do seu sucesso, ela sabia, era relacionado com a impressão visual que ela transmitia ao público. Ser artista é estar exposta, pensou, não adiantam utopias de privacidade. Sua maior obra era sua vida, e tudo o que o que fazia, 24 horas ao dia, como essas pessoas que hoje em dia estão  transmitindo via Internet o seu tedioso cotidiano, agora ela entendia a metáfora. Será que deveria trocar de consultora de moda? Ela não havia gostado nada das roupas escolhidas pela dita cuja. Numa outra loja havia uns modelos muito menos convencionais que...&lt;br /&gt;- Você ainda se lembra da cigarra que você era há alguns anos atrás? – disse o formiga, trazendo-a de volta àquela mesa.&lt;br /&gt;- Claro que sim. Você sabe que sim. Escuta, acho que já está na hora de você entender o que aconteceu entre a gente.&lt;br /&gt;- E o que teria acontecido entre nós, na sua versão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tentava reconstruir o caminho que a levara àquela situação. Por que ela tinha de estar ali, àquela hora, tendo de se explicar?&lt;br /&gt;- Acho que aqui não é o lugar apropriado para termos esse tipo de conversa – disse, claustrofóbica.&lt;br /&gt;- Muito conveniente para você...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse ponto, aproximou-se da mesa um dos inúmeros acessores da cigarra:&lt;br /&gt;- Ci, temos que ir, a entrevista...&lt;br /&gt;- Claro, claro já estamos nos despedindo, pode ir chamando o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O formiga já estava prestes a fazer uma cena, quando a cigarra tirou um cartão da bolsa e entregou a ele. Que ligasse para ela. Que marcassem outro encontro, a sós, num lugar mais tranqüilo. &lt;br /&gt;- Espero você ligar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sumiu com seu séquito, rumo aos estacionamentos, suas antenas oscilando ligeiramente acima das outras, mortais.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Foi acordado na madrugada pela dor-de-cabeça . Não reconheceu a louva-a-deus que dormia a seu lado. Chegou à cozinha por tentativa e erro, engoliu muita água. Não teve condição de muito raciocínio, voltou a dormir ao lado da ressonante louva-a-deus, de quem agora ele tinha uma vaga lembrança, e sonhou com uma tanajura tímida que lhe assistia a trepar com a cigarra. Não chegaria a se lembrar desses sonhos, ao acordar.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Acordou tarde, já bastante atrasado. Estava só. Encontrou  um bilhete no espelho: &lt;br /&gt;“Obrigada pela noite maravilhosa. Beijos.   L.&lt;br /&gt;P.S.: Jogue a chave por debaixo da porta. E ligue-me à noite.”&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Bateu o ponto no formigueiro com um atestado médico falso. Trabalhou feito uma formiga, carregando seis vezes o seu próprio peso.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Sentou na cama e acendeu  um cigarro. Não conseguia dormir. Olhou para o corpo inerte da tanajura, e lembrou-se das longas pernas da louva-a-deus. Soltou a fumaça.&lt;br /&gt;Virada para a parede, de olhos abertos, a tanajura fingia dormir; da mesma maneira, fingira acreditar na história do seqüestro pelo O.V.N.I., e fingia não se importar que fumasse no quarto.  &lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;A louva-a-deus sempre vinha por cima, fazendo caras de modelo. O formiga olhava admirado a beleza transtornada da ortóptera, cavalgando antes compassada, e acelerando, crescendo sobre a pelve passiva do formiga, e gemendo, agora fodendo furiosamente, seu rosto tomado pelos espasmos,  e seus olhos iam  ficando  terríveis e malignos, até o gozo assustador, que parecia um frenesi alimentar. Ia para o banheiro imediatamente. &lt;br /&gt;O formiga ficava largado na cama, orgulhoso por nada. &lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Um dia, a louva-a-deus disse:&lt;br /&gt;- Você merece ir à forra pelo que a cigarra fez com você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O coitado sustentara a cantora por longos anos, durante rigorosos invernos, e mesmo através de alguns verões bastante amenos. Foram amantes assimétricos: ela raramente chegava a ter algum prazer, enquanto que ele se desmanchava rapidamente. Ele a presenteava com insistentes compensações, e fazia esforço em não perceber a fragilidade daquela  ligação, com toda a sua tenacidade de formiga. Quando veio sua chance, a cigarra a agarrou: um caso com um produtor famoso, um disco numa gravadora grande, uma música na novela. Uma ponta em outra novela. Dois casamentos: um com o tal produtor; outro com um ator da segunda novela. E nunca mais viu o formiga, até aquele encontro no shopping.&lt;br /&gt;A louva-a-deus encarregou-se de transmutar a autocomiseração do formiga em ódio pela cigarra. Ela propôs o seguinte: ele marcaria com a cigarra o encontro prometido no shopping. Iriam a algum lugar ermo, sem os seguranças; ela iria com alguns amigos e os interceptaria. Seria um seqüestro rápido, com um resgate relativamente baixo. Seria sua vingança.&lt;br /&gt;O formiga resolveu afastar-se da louva-a-deus. Voltou a chegar cedo em casa. Assustava a tanajura com sua nova agressividade sexual, a que ela tentava corresponder, mas acabava tendo cãibras. Isso durou duas semanas. &lt;br /&gt;Numa terça-feira faltou ao trabalho e foi ao apartamento da amante, que o recebeu vestindo uma camisola longa transparente. Fornicaram durante todo o dia. À noite, ele ligou para a cigarra, marcando o encontro.&lt;br /&gt;* * *&lt;br /&gt;Tudo correu como o planejado: os insetos do bando da louva-a-deus interceptaram o BMW da cigarra próximo à marginal. Não houve resistência, salvo uma ligeira simulação por parte do formiga.&lt;br /&gt;No cativeiro, a cigarra permanecia amarrada e vendada.&lt;br /&gt;- Você acha isso mesmo necessário? – perguntava ao gafanhoto, líder do bando de insetos criminosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bandido nunca respondia às suas perguntas. E muito menos sorria. O modo como ele abraçava a louva-a-deus incomodava o formiga.&lt;br /&gt;À noite, o formiga aproveitou um cochilo do grilo, o sentinela do turno, e entrou no quarto da cigarra. As luzes estavam acesas, mas a refém estava vendada e amarrada. E nua. Dormia encolhida sobre um colchão imundo. Ele ficou chocado ao vê-la naquela condição. Arrependeu-se. Quis desamarrá-la, que saíssem correndo dali. Mas já fora longe demais, já não podia voltar atrás. Aproximou-se. Observou o corpo nu da cigarra. Lembrou-se de como era bom perder-se entre aquelas coxas. Chegou quase a tocar sua bunda, sua mão a menos de um centímetro da pele nua da cigarra. Repentinamente, ela acordou:&lt;br /&gt;- Tem alguém aí? Quem está aí? &lt;br /&gt;- &lt;br /&gt;Ele deu um salto instintivo para trás, assustado. Ela suplicou:&lt;br /&gt;- Por favor, não me machuque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele se manteve quieto, os olhos muito arregalados, imaginando se ela sabia que as luzes estavam acesas. Notou que a cigarra tremia. Acalmou-se. Decidiu ficar no quarto. &lt;br /&gt;- O que você vai fazer comigo? – perguntou a indefesa, com voz incerta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não respondeu. Começou a ter sentimentos ambíguos. É claro que era hediondo, mas ele sentia algum prazer em vê-la tão indefesa, tão à sua mercê. Aproximou-se do colchão. Tocou o braço da cigarra, que se encolheu toda, mas não gritou. Alisou suas costas, quase sem acreditar no que suas mãos faziam, quase involuntariamente, a cigarra tremia muito, mas não emitia mais que um gemido muito tímido; suas mãos passaram  pelas nádegas, e seguiram pelas coxas, a cigarra tentou afastar-se, mas não conseguiu, toda amarrada, ficou arfando, e ele possuía seu corpo com as mãos, um tanto horrorizado com o que fazia, pensando em como ela parecia frágil, agora, a traidora, e começou a delirar de poder, ódio e tesão, manipulando aquele corpo, suas mãos indo e vindo sobre a pele indefesa, sentindo cada fibra dos seus músculos macios, roçando seus pelos púbicos, agora em direção ao sexo da cigarra, ao sexo da puta, sua puta, não me quis, não foi?, agora veja o que eu faço com você, ele pensava, e ao mesmo tempo pensava na coitada e no que suas mãos horríveis faziam, mas ela merece, é uma puta ingrata, que trepou com todo mundo pra subir na vida, agora está aí, nem sabe que a luz está acesa e eu estou vendo o seu corpo todo tremendo, agora você vai ver, e a cigarra começou a chorar mais alto e ele tentou tapar sua boca mas por que caralho não amordaçaram essa vaca vai acabar acordando todo mundo...&lt;br /&gt;- ...cala a boca, sua vagabunda!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Formiga? É você?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela reconheceu sua voz. E começou a gritar:&lt;br /&gt;- É você? É você? Responde!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os criminosos não demoraram mais do que alguns segundos. Já chegaram espancando o formiga, que não conseguia esboçar reação, em estado de choque, nem tanto pelo que fizera, ou pelo que iria acontecer consigo, mas sim pelo tom desesperado da voz da cigarra ao reconhecer sua voz.&lt;br /&gt;A cigarra foi morta, e a seu corpo foi dado sumiço. As negociações sobre o resgate tornaram-se difíceis, com a falta de provas de que a refém ainda estivesse viva. &lt;br /&gt;No seu terceiro dia de clausura no porão, o formiga recebeu a visita da louva-a-deus. De maneira surpreendente, ela aparentava serenidade. Desceu ao calabouço e começou a limpar os ferimentos do formiga. Ele consentia, silencioso. Então falou:&lt;br /&gt;- Você se aproximou de mim somente por esse motivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não respondeu. Continuou a limpar os ferimentos. Ele continuou falando. De como ela o traíra. De como ele tinha confiado nela. De como ela o tinha obrigado a cometer barbaridades, etc., etc...&lt;br /&gt;Mas a louva-a-deus já havia terminado sua tarefa. Agora, despia-se. O formiga não entendia. Ela começou a acariciar o corpo do outro. Perplexo, ele começava a ter a mesma sensação que tivera noite em que encontrara a louva-a-deus pela primeira vez; dessa vez chegou a perguntar, excitado:&lt;br /&gt;- Por que eu? E por que agora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela já estava sobre ele, e movia os quadris. Sorriu levemente, com seus olhos verdes fendidos:&lt;br /&gt;- Você deveria conhecer melhor os  hábitos alimentares dos insetos com quem se envolve...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nesse instante, ele se deu conta do que aconteceria. Procurou ao redor e não encontrou ninguém a quem pedir socorro.&lt;br /&gt;No momento seguinte, a louva-a-deus deu um grito aterrorizante e precipitou-se vorazmente sobre a cabeça do formiga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115426036166689684?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115426036166689684/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115426036166689684' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115426036166689684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115426036166689684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/ilustrao-de-chirico-melancholy-and.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115414347326457176</id><published>2006-07-28T20:21:00.000-07:00</published><updated>2006-07-28T20:24:33.276-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>(NOVO) Os Prazeres e os Riscos: parte II&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No texto anterior eu não consegui chegar ao ponto que queria. A lembrança do luto sincero e integral da Heloísa deixou tudo mais solene. Resolvi parar antes de chegar onde queria, por respeito e simpatia à sua dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita gente escreveu-me dizendo da perda de entes queridos, a dor da separação... Acho legal que o texto tenha movido estas pessoas, que tenha virado o que virou. Às vezes é assim, você quer escrever uma coisa, acaba virando outra. Prova da imperícia do escritor, ou da urgência do assunto que vingou. Quando comecei, meu tema era muito mais egoísta: eu queria falar sobre como o Playstation vem provavelmente salvando minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho de admitir que tenho alguns hábitos que podem soar excêntricos e perigosos. Meu hábito de nadar no mar, por exemplo. Eu sei que é um pouco arriscado, mas parece muito pior do que realmente é. Da praia, pensam que eu estou nadando muito longe da costa. As pessoas perdem-me de vista. Mas, como as enseadas são curvas, em geral estou mais perto da praia do que as pessoas pensam. Nadar no mar dá uma sensação de autonomia muito boa. Ir de uma praia a outra pela força dos seus próprios braços e pernas, sentir-se só em meio a algo muito maior, envolto por águas que parecem infinitas, flutuando sobre profundidades insuspeitadas... é quase uma experiência religiosa. O mar tem essas propriedades, de redefinir as proporções, de deixar a gente mais conciente do tamanho do planeta e do universo. É um pouco como voar de avião, como navegar em alto mar, como pular de asa-delta, essas coisas perigosas de que o Alê gostava, e eu também. Como visitar o deserto. Imagino que Jesus errando pelo deserto da Galiléia deve ter chegado a essa dimensão. E talvez tenha pirado, de fato, ouvindo demônios dentro da cabeça, concluindo ser filho de Deus. (Os psicanalistas falam também de "experiências oceânicas", quando querem fazer referência a vivências reconfortantes, associadas a fantasias de retorno ao útero.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já dei vexame, por causa desses hábitos. Na verdade, em geral são as pessoas que me esperam na praia que dão o piti. Estamos impedidos de voltar a Trindade, por exemplo. Uma vez, fomos comer uma moqueca num boteco na areia da praia do meio. Depois de alguma caipirinha, cerveja e frutos do mar, resolvi dar uma nadada. Pedi a Patrícia que  fosse buscar-me na primeira praia ali de Trindade, aquela menor, em que a gente sai depois do "Deus-me-livre". Quando estava quase na boca da praia, um cara num caiaque aproximou-se de mim. Meio lacônico, o cara me cumprimentou, meio caiçara, meio caipira. Cumprimentei de volta, achando estranho aquele cara ali de caiaque, parando no meio do mar para uma prosa. Aí ele disse que minha mulher tava desesperada, lá no bar. E que ele tinha saído atrás do cadáver, praticamente. Mas viu que eu estava bem. Perguntei se ele ia voltar ao boteco, ele disse que sim, pedi que reiterasse meu encontro com a Patrícia ali naquela praia. Ele partiu remando. Peguei uns jacarés com os surfistas, que estranharam meu surgimento do meio do mar, e fui até a praia. Fiquei esperando um pouco, até que meu carro surgiu buzinando muito e com raiva, entrei rapidinho, com Patrícia gritando e chorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois fiquei sabendo do ocorrido: que ela foi me seguindo com os olhos; depois de um determinado momento, eu sumi de vista. Perguntou se alguém conseguia ver-me, conseguiu um binóculo, não me achou, começou a ser recriminada por todos no bar, "como você deixou...", tentou convencer uns pescadores a irem dar uma busca de barco, os caras não quiseram, com os barcos já no abrigo, e a preguiça vespertina de quem escolheu ser pescador. Chorou, gritou, desacatou, ameaçou, conseguiu constranger o cara do caiaque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi a primeira vez que esse tipo de coisa aconteceu, mas foi a última. Nunca mais nadei no mar, a não ser localmente, pegando jacaré, surfando... essas coisas. Tudo bem. Mas em janeiro passei um mês na praia, Costão do Santinho. Fui sem carro. Um mês dentro de um condomínio. Abrigado. Comendo nos mesmo lugares todo dia. Hummm... minha barba começou a cair! Estressei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso. O abrigo em demasia estressa, a falta de secreção das adrenais, de excitação e novidade causa-me uma uma espécie de síndrome de abstinência. Meu DNA provavelmente não foi selecionado para esse tipo de vida. Digo isso vendo minha filha. Acordada, em casa, ela dura 20 minutos. Depois desse prazo, tem que sair, pendurar-se nos brinquedos da praça. Mesmo DNA. Não tem dois anos, ainda, e já quebrou dois dentes, a sapeca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha vida sempre foi assim: compatibilizar esses impulsos, que são de vida, mas também de morte, com uma existência relativamente normal, criando filhos, tendo um lar, plano de saúde, caminhando para uma velhice amparada. Mas meu cérebro, a cada par de anos, arma situações para que eu abandone a estabilidade. E eu depois tenho que reconstruí-la. Talvez eu tenha nascido para ser um aventureiro, mesmo, um vagabundo, um gauche na vida. Um anjo meio torto deve ter envenenado meus ouvidos. Enquanto não vem pra me buscar, jogo playstation.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115414347326457176?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115414347326457176/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115414347326457176' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115414347326457176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115414347326457176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/novo-os-prazeres-e-os-riscos-parte-ii.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115389116732399056</id><published>2006-07-25T22:18:00.000-07:00</published><updated>2006-08-12T12:43:28.466-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Os Prazeres e os Riscos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz pouco mais de um mês que o Alê morreu. Era o namorado da Helô, mais do que amigo meu, mas mesmo assim sua morte foi chocante. Daquelas de dar frio na barriga, principalmente porque todos que me conhecem viraram-se na minha direção pra dizer, unanimemente: "tá vendo, Dimi???!!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses atrás, Alê e Helô foram jantar em casa, quer dizer, pizza do Braz e muito vinho. Ele me contou sobre o avião que ele estava comprando em forma de kit, que iria ser montado em Monte Alto e que viria a cair no vôo inaugural, causando sua morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Patrícia já nem queria que eu conversasse sobre esses assuntos com ele. Ela provavelmente acha que eu seja potencialmente um suicida acidental. De fato, sou piloto de aviões pequenos e tenho uma certa intimidade com esse tipo de aventura, o que pode parecer loucura para muita gente que tem medo de avião. Já pilotei máquinas de pau e trapo, como a gente chamava, aviões que não têm sequer sistema elétrico, a partida é na mão do mecânico, que grita "contato!" e gira a hélice, como nos filmes antigos. Esses aviões, Paulistinhas e Pipers, não tinham fuselagem de metal, ou de fibra, ou de qualquer material rígido: eram feitos de tela impermeabilizada, montada sobre uma estrutura de tubos metálicos. Nem assoalho tinha, a gente tinha que pisar nesses tubos para não furar o avião. Não tinha rádio, nem luz, nem nada. A impermeabilização da tela era feita com Dope, uma substância muito inflamável. Se o avião pegasse fogo, já era. Às vezes, a gente tirava a porta para voar com o ventão entrando, o céu invadindo a cabine violentamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu fazia o curso do brevê, aos 15 anos de idade, a gente tinha aulas teóricas aos sábados, no aeroclube de Londrina. Num sábado daqueles, um dos paulistinhas do aeroclube caiu durante o pouso. O piloto era um tal de Custódio, se não me engano, que havia acabado de tirar o brevê, e estava voando solo. Saímos todos correndo da sala de aula, ante a notícia. No horizonte, na cabeceira 30, via-se uma coluna de fumaça preta subindo muito densa e rápida, e ninguém parecia acreditar no que estava acontecendo. Os bombeiros chegaram rapidamente, mas não puderam fazer muita coisa. Os instrutores tentavam impedir-nos de ir até o local do acidente, mas quem conseguiu correr os 5 km da pista e chegar até a cabeceira oposta disse que não sobrara muita coisa para ser vista, a explosão do tanque de gasolina fez inflamar-se o dope da tela e o avião rapidamente sumiu nas chamas. Diziam que o corpo do piloto ficou reduzido a um objeto carbonizado de aproximadamente meio metro. Lembro que esse encolhimento impressionou-me muito, na época, mais pelo inusitado do fenômeno do que pelo medo da morte. Porque: pensa que alguêm considerou desistir de voar? Isso nem passou pela minha cabeça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Alê explicou-me que seu avião era um projeto muito bom, mostrou-me na internet os desenhos, algumas fotos de modelos prontos que realmente pareciam muito melhores do que os meus paulistinhas de pau e trapo. Gostei. Achei seguro, sob a reprovação de Patrícia e Helô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns meses depois, numa quinta-feira, Helô ligou de Barretos comunicando que Alê havia morrido. Que havia ido escondido ao hangar em Monte Alto, onde o avião estava sendo montado já com algum atraso; essas coisas nunca acontecem no prazo. Os mecânicos que iriam testar e ajustar o motor ainda nem haviam chegado de Goiânia para finalizar a montagem. Mesmo assim, Alê insistiu em voar com o avião ainda incompleto. No quarta, queria decolar sem pára-brisa! Não conseguiu convencer os mecânicos. Na quinta, exasperado com o fim de semana que se esgotava, ludibriou a todos e decolou, sem que os tais mecânicos de Goiânia tivessem tido a chance de terminar os ajustes do motor. Minutos depois, a polícia recebeu um telefonema de um sitiante, relatando a queda de um avião em sua propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O funeral foi muito triste, cheio de gente inconformada com a gratuidade dessa morte de um cara de vinte e poucos anos anos. Helô teve de lidar com os aspectos burocráticos e absurdos, como reconhecer o cadáver no IML de Monte Alto, providenciar o traslado do corpo, dar depoimentos à polícia, ir buscar os documentos do namorado no hangar. Chegou ao velório já como viúva experiente, íntima do sofrimento, repleta da perda, desenvolta na tristeza sua e dos familiares e dos amigos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorou muito. Quando estávamos no crematório, ela chegou até mim e perguntou se eu tinha cds no carro, pois as músicas que havia no repertório para a cerimônia eram terríveis. (As pessoas acham que, por eu ser músico profissional, devo sempre ter uma solução para dilemas musiciais ou sonoros. Algo como um médico na platéia.) Meus cds do carro não prestavam para a cerimônia, a menos que Deep Purple fosse uma opção, mas concordamos que não ficaria bem. Helô juntou umas canções de uns discos da prima, e contou uma história linda através dos versos dessas músicas. Não vou descrever aqui o conteúdo, também porque não me lembraria com exatidão. Mas, quando postas naquele contexto do crematório, as canções falavam de um amor jovem, de uma vida arriscada, de saudade, de lembrança... ditos de uma forma que soou muito pessoal e sincera. As pessoas começaram a entender, e a falar. E a sorrir chorando. Foi uma homenagem belíssima, que acabou por reconfortar a todos que estavam participando daquele momento terrível e constrangedor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída, pessoas cumprimentavam-me pela escolha das músicas, achando que fosse obra minha. Eu explicava que não.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115389116732399056?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115389116732399056/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115389116732399056' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115389116732399056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115389116732399056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/os-prazeres-e-os-riscos-faz-pouco-mais.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115360289087308809</id><published>2006-07-22T14:13:00.000-07:00</published><updated>2006-08-06T20:10:49.743-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/ST1970-Anarchy-Logo.0.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/ST1970-Anarchy-Logo.0.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Em Londrina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje fui correr pela cidade, e passei na frente do Valentino, um bar que eu frequentava na década de 80, quando eu visitava Londrina. Houve também uns seis meses que eu passei por aqui, durante uma pausa no meu curso de medicina, em que ia toda noite, praticamente, nesse bar. Hoje vi que demoliram o Valentino. Está em ruínas, só com as fundações, uns restos de parede e umas colunas. Parece uma ruína romana, por causa das colunas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando pelo sítio arqueológico, reconheci o assoalho da entrada, a escadinha que levava à varanda, em que nos sentávamos nos degráus, pra ficar bebendo, fumando e olhando o céu. Vi a base do balcão, um bom balcão de madeira escura, daqueles altos, de bar decente, ao qual você pode se enconstar e apoiar os cotovelos mesmo de pé, ou sentar-se em banquetas altas de madeira com estofado de couro. Acima do balcão havia um grande espelho inclinado, pelo qual você via o bar inteiro e então não precisava virar-se pra controlar o movimento ou fazer contato visual com alguém. Útil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei ao sórdido assoalho do banheiro, onde eu vomitei tantas vezes, intoxicado pelo uísque ruim que nosso dinheiro podia pagar, na época. Num resto de parede, tinha um símbolo do anarquismo, que na época era praticamente o símbolo do Valentino, e da nossa geração, meio perdida entre os anos 60 e o final do século XX. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No interior, essas coisas se amplificam. Quem é maluco, é maluco mesmo. Não tem muita noção de limite, não tem muita gente com quem se comparar. Afinal, tem menos maluco na cidade como um todo. Maluco de capital, muitas vezes, é maluco de boutique, que parece maluco, mas se preserva, afinal. Em Londrina, naquela época, a galera detonava. A gente ficava toda noite conversando bobagem, bebendo muito, fumando muito, intoxicados por outras drogas disponíveis, até que rolava no som "Take a Walk On The Wild Side", do Lou Reed, ou "Zoot Alllures", do Zappa, e alguém aumentava o volume. Quando pintava uma festa, ia todo mundo, e o bar ficava vazia por um momento. Se a festa não prestasse, todo mundo voltava pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(As patricinhas de Londrina, também, são mais radicais, mais perfeitamente frívolas do que seus originais paulistanos. Vestem-se com um rigor muito maior, as marcas de roupa exatas, as idiossincrasias mais homogênias. São lindíssimas, sempre, por algum prodígio sócio-ambiental com prováveis repercussões endócrinas. Sempre estão à procura da balada perfeita. Em geral, ficam entediadas onde estão, querendo ir pra onde não estão, ou ligar pra quem não está lá.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na madrugada, havia a macarronada do Valentino, que salvava os estômagos açoitados pela boêmia. Aliás, açoitávamos nossos estômagos! A gente ia todo dia a esse Valentino. Na cidade, falavam que era um bar gay, mas todo mundo ia. Era a sede da cultura e da contracultura londrinense. Todo mundo que pensava ia lá, os que queriam fingir que pensavam algo também compareciam. No final de semana, mesmo a playboyzada frequentava. Sem fingir que pensava coisa alguma. Isso é uma coisa interessante a respeito do interior, as castas sociais convivem mais próximas. Os pés-rapados da minha época conheciam os ricaços, podiam até vomitar lado a lado no banheiro do Valentino, se dessem sorte. Ou azar, posto que é vômito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a sensação geral daquela época é bela. Um tempo em que éramos mais ingênuos, certamente, mais inseguros, talvez, mas em que experimentávamos mais a vida, em que vivíamos em grupo, pós-adolescentes, procurando uma identidade. Procurando ser algo que fizesse um sentido pessoal para cada um de nós, mesmo se isso fosse uma cirrose hepática precoce e inconseqüente. Algo diferente do que nossos pais pensavam que devêssemos ser. O Valentino fez parte desse caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No muro do bar, picharam: "... a força da grana que ergue e destrói coisas belas..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...Piegas!!!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um beijo para: Lu, Shirley, Oswaldo, Lena, Claudinha, Carlão, Paulo, Maurício, Betina, Aninha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P.S.: Acabei de falar com uma amiga dessa época, no MSN, ela falou que reinauguraram o Valentino noutro lugar, e estão, na verdade, tranferindo pra lá tudo o que era da casa original. A vontade é de dizer: "deixa quieto!!!"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115360289087308809?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115360289087308809/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115360289087308809' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115360289087308809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115360289087308809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/em-londrina-hoje-fui-correr-pela.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115332453513167764</id><published>2006-07-19T08:34:00.000-07:00</published><updated>2006-07-19T08:55:35.170-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ontem houve o show d'Os Improváveis. Numa avaliação brevíssima:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- a banda tocou muito bem.&lt;br /&gt;- o som tava muito ruim.&lt;br /&gt;- o público estava fraco, 3/4 da casa. Mas tá bom pra uma terça depois da meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha muito amigo, na platéia. Isso complica a avaliação. Minha idéia é fazer mais roubadas, com público real. Não sei se a banda encara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115332453513167764?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115332453513167764/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115332453513167764' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115332453513167764'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115332453513167764'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/ontem-houve-o-show-dos-improvveis.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115323371546632354</id><published>2006-07-18T07:41:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T07:41:55.466-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Dia do show bienal d'Os Improváveis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115323371546632354?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115323371546632354/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115323371546632354' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115323371546632354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115323371546632354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/dia-do-show-bienal-dos-improvveis.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115323359307002446</id><published>2006-07-18T07:36:00.000-07:00</published><updated>2006-07-18T07:39:53.086-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/log_century.png"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/log_century.png" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115323359307002446?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115323359307002446/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115323359307002446' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115323359307002446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115323359307002446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/blog-post.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115310114825859413</id><published>2006-07-16T18:51:00.000-07:00</published><updated>2006-08-10T09:20:43.666-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/1600/botero_bathroom.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/4111/3311/320/botero_bathroom.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;(ilustração: Fernando Botero, "The Bathroom", 1993.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Libretto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achei uma caixa de papelão contendo documentos meus do início da década passada, do período em que vivi em Boston. Parecem pertencer a outra pessoa. Tem uma texto que eu escrevi na época que tem ainda alguma graça, acho. Lá vai:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ópera italiana, no final do século XIX, poderia ser definida como uma tipo de peça musical que termina com três cadáveres no palco, no mínimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acto III&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pilombetta, a Condessa da Sabatina, encontra-se em seus aposentos à espera de Agnolotti, seu amante. Canta a famosa ária "Dio, come ti amo", uma apologia do canibalismo enquanto expressão religiosa e amorosa. Como de costume, sente-se sufocada pela culpa que a relação ilegítima, iniciada há nove anos e meio, acarreta, e pela partida de Cappadocci, seu marido, rumo a Waterloo. Os amantes haviam plantado informações falsas a respeito da suposta presença de Napoleão por aquelas paragens, a fim de conseguir privacidade por algumas semanas. O que Pilombetta não sabe é que Agnolotti, desejando a mulher somente para si, sabia que Napoleão estaria de fato em Waterloo, com um exército de proporções hollywoodianas. O que Agnolotti não sabia, porém, é que Wellington também seguia rumo ao mesmo campo de batalha, somando forças com com o famoso esquadrão Napolitano de Capadocci, temido tanto pela bravura quanto pelo bafo de alho. Nesse ponto, a platéia é que não sabe mais nada, pois perdera o fio da meada no meio do segundo ato, impacientes com a gritaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cenna I:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Dio, comme tia amo! Dá-me un cornetto, molto crocante..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(entra Agnolotti)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "É piu cremmoso!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "É da Gellato!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "Cara mia, enfine soli!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Non, non, per favuori! Oggi non, io sonno indisposta, dolore da cappo....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "Ma Io sonno un asno, o u quê? Io sonno cansatto di parlare per tu non ire a il duommo di Doleres, questa Spagnolla non presta..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Agnolotti, sei un asno, é vero, ma per otri razzioni. La dolce vita di luci qui hai promisatto a me é , in veritá, una fontanna di trevi..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "Ingratta! Discordate di quella volta qui fuommo jantare al Michellucio..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Basta! Di questo giorno adellante Io sonno una donna líbera! Io sonno cansatta di calcio i fuórmula uno. Io voglio il Silvio Santi! Io sonno líbera, líbera, líbera..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti (sarcástico): "...e Io sono il cento-avanti..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Io non sonno a gioccare. Io voglio il divuórcio."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti (pragmático): "Megliori parlare con vostro maritto. Veni qüi, veni..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta (tentando desvencilhar-se dos abraços): "Alto! Non veni qui non teni!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "Cara mia, Io sonno apassionatto..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Alto lá con tue mani! Ogiorno Io non voglio, tu solo cogita en questo..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti (abrindo o champagne): "Regardere: champagne, per brindare un encontro de due almi qui si ami...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Due almi? Vá benne! Regardere il volumino in tue pantalonni: ha insuflato il caneloni, taratto!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "Cara mia, ma Io sono victimato per tuo corpore, per tua bolognesa empinata, i rondelli a quasi explodire il mezza-taça... veni qui, veni..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ouvem-se passos no corridori)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Mio maritto!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti (para a platéia): "Ma non é possibile!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Dentro d'il armani, presto!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cappadocci (entrando no quarto, aos gritos): "Victória!!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Victória una ova, caffagesto, Io sonno Pillombeta, tua sposa! "&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cappadocci: "Ma Io parlo de la bataglia, en qui derrotammo il exercito di Napoleone..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Vá benne, vá benne... ma non mi pisa con le buotti imundi n'il carpeto, solo perque víncite tuo mísero pugilatto."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capparadocci: "Calma, qui l'Europa sei nostra."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "...e vamo pedire una pizza, qui ogiorno Io non faccio il jantare."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cappadocci: "Hummm, buona idea, una pizza, unas coca, musica molto romântica..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Ma, otro? Hommi son tutti ugualli..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cappadocci: "Ma que otro? Que otro? Que escondere di me?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Niente! Io non voi escondere niente di te, non piu! Io voglio il divuorcio, i la guarda di bambinni!"&lt;br /&gt;Agnolotti (traindo-se, de dentro do armário): "Audácia da Pillombetta..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capadocci (ouvindo o amante): "Qui és questo?"&lt;br /&gt;(abrindo o armário): "Ahá!!!!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "Gulp!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Oh!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capaddocci: "Maledetta!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Io puosso explicare..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agnolotti: "Scusa, ma io teno que ire..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cappadocci: " Carcamano!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pillombetta: "Larga!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cappadocci: "Putanesca!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Inesperadamente, Agnolotti acaba matando o marido da amante, estrangulando-o com a echarpe que estava guardada no armário. Nesse momento, entra no quarto Victória, a amante de Cappadocci, que vinha pedir o dinheiro do aluguel, e mata Agnolotti com um tiro à queima-roupa, literalmente. Agnolotti cai dentro do guarda-roupa e metade da platéia acorda com o tiro. A outra metade já foi embora. Pillombetta, audaciosa, investe contra Victória, enterrando em suas costas a adaga que sempre levava na cinta-liga. Olha desolada para os cadáveres e suicida-se, tomando o veneno que sempre levava no decote. Perigosa, essa Pillombetta. Chega o entregador de pizza e também se mata. Pessoas se atiram do foyer e do balcão nobre. O maestro tenta atirar-se na platéia, mas é contido pelos primeiros-violinos. O New York Times exige uma intervenção da ONU, cobrando de Clinton uma postura mais firme na política externa. O presidente Itamar Franco diz-se "horrorizado" com o acontecido e declara que tomará todas as providências cabíveis para a mais rigorosa apuração dos fatos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115310114825859413?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115310114825859413/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115310114825859413' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115310114825859413'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115310114825859413'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/ilustrao-fernando-botero-bathroom-1993.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115279313093415068</id><published>2006-07-13T05:18:00.000-07:00</published><updated>2006-07-16T21:32:15.143-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Ponto de Vista&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O legal de sair de avião de São Paulo, além do fato de sair de São Paulo, é quando a gente vê a borda do campo, ou seja, a beirada da Serra do Mar, despencando na Baixada Santista. Dá pra ver a umidade do mar subindo ao encontrar o paredão da serra, e formando uma barreira de nuvens. É uma visão muito concreta de algo que a gente sabe que acontece, na teoria, mas quase nunca tem um ponto de vista distante o suficiente pra ver acontecendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio a lembrança da época em que eu era aluno de medicina. Numa cirurgia, lembro que o professor apontou pra um órgão interno, sei lá o que era, e mostrou uma infecção. Era algo que a gente raramente via ao vivo, algo que se tratava com antibióticos sistêmicos, via oral, mas, com o acesso que tínhamos ao tecido infeccionado, o cara simplesmente aplicou um pouco de antiséptico, com uma gaze, e curou a infecção. Simples assim. É o exato oposto das nuvens na serra. Uma perspectiva mais aproximada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caminho do aeroporto, ouvi o Jabor, com voz de ressaca, enxovalhar a situação da segurança pública em São Paulo, daquele jeito apocalíptico dele, demonstrando a entrada do país na era das situações sem saída, quando nada tem mais solução, desde a roubalheira no governo até os ataques do PCC, passando pela seleção e o Rubinho Barrichello. Ontem, numa conversa com uma amiga advogada, aprendi que nossas piores paranóias a respeito do judiciário podem ser justificadas; ela me contou histórias sobre a venalidade de juízes, causos de arrepiar; nada tem mais jeito mesmo, são todos uns filhos da puta, o mundo é uma bosta, e salve-se quem puder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, que sempre fui um otimista incorrigível, me sinto perdendo a leveza. Quase acredito na claustrofobia de um mundo falido, na avalanche de merda que vai soterrar todo o Ocidente, na conspiração dos homens egoístas que vão tornar impossíveis todos os propósitos dos homens justos. Tudo parece difícil, os buracos são sempre mais embaixo, as intenções são sempre obscuras, as razões reais são sempre encobertas pela mentira e a dissimulação, os esforços positivos são sempre soterrados pela preguiça e a conivência com as más intenções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, aí, o avião passa a restinga da Marambaia, que parece de mentira, de tão desenhada, entra por trás da baía de Guanabara, passa ao lado do Redentor, cruza no través da pista, faz um 270º na vertical, lambendo Niterói, os estaleiros com as plataformas de petróleo, encara a Rio-Niterói no contra-luz, os navios ao largo, aguardando a vez de entrar no porto, a Ilha Fiscal, alinha com a pista e toca como um sabão, tudo sem variar o motor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei achar o comandante, na saída, para dar os parabéns, mas não deu. Peguei o táxi mais sincronizado com o Cosmos, que é bem maior que o pessimismo. Às vezes falta perspectiva, falta olhar de longe. Às vezes falta aproximar mais. Às vezes tem que enxergar o abismo com olhos de engenheiro, tentando determinar o que precisa para construir a ponte. Outras vezes, tem que ter o olhar poético e apreciar a beleza do vazio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115279313093415068?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115279313093415068/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115279313093415068' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115279313093415068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115279313093415068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/ponto-de-vista-o-legal-de-sair-de-avio.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115257008865727778</id><published>2006-07-10T15:19:00.000-07:00</published><updated>2006-07-10T18:14:28.410-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>O Batismo de Bebel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos à igreja já com alguma culpa: dizem que só se aceitam pais casados na Igreja, para o batismo dos filhos, certamente por falta de vagas para fiéis na Igreja Católica... Mas fomos assim mesmo fazer o curso, dispostos a mentir, caso fôssemos inquiridos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não foi necessário. A senhora que ministrava o curso cheirava a colégio de freiras, autoritária e irrefletida, imbuída dos poderes advindos da sua  intimidade com o divino, aparentemente. Mas não era freira, depois aprendemos tratar-se de uma Ministra Extraordinária da Eucaristia. Exercia seus poderes com rigor militar, exigindo o preenchimento imediato de uma ficha de cadastro bastante ambígua. Patrícia entrou em pânico, errou meu nome, depois preencheu nome do pai no lugar do nome da mãe e teve de ser substituída. Joguei um charme para a velhota, ela comprou, chegou a sorrir, a danada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia hora depois, quando ninguém mais tinha nádegas para enfrentar o discurso da senhora, dei-me conta de ser, talvez, o único ateu convicto na sala. Ateu, não, agnóstico, vá lá. Mas também o único que sabia quais eram os 7 sacramentos da Igreja, e o único que lia a Bíblia com alguma frequência. Esses paradoxos da vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A senhora leu, lá, umas coisas a respeito dos simbolismo do batismo. Essa história do renascimento é que me interessa. O Cristo morrendo e ressuscitando, a água afogando e fazendo renascer o fiel em Cristo. Tudo remete à morte, ou melhor, à esperança de uma vida após a morte, a continuidade, ou seja: a não-morte; vida eterna. Isso sim, é sedutor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu li num dicionário de filosofia que a coisa comum a todas as religiões não seria Deus, ou deuses, ou divindades, mas sim a proposição de uma solução para o dilema da morte. É tudo o que interessa, para quem está vivo: não morrer ou, caso seja realmente indispensável a morte, dar um jeito de voltar, ou de continuar num outro lugar. Deve ser uma delícia acreditar nisso, espero que um dia eu consiga.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que acha muito estranho que eu queira batizar a Bebel. Eu acho conveniente. Eu agradeço a oportunidade de ter sido educado tendo um modelo maniqueísta para moldar meus princípios, o Bem contra o Mal, etc. Gostaria que minha filha pudesse contar com essa rede de segurança, também. A dúvida do agnóstico não é brincadeira de criança. Quero que ela cresça acreditando em Papai do Céu, sem medo da finitude absoluta. Amém.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115257008865727778?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115257008865727778/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115257008865727778' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115257008865727778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115257008865727778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/o-batismo-de-bebel-chegamos-igreja-j.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115249826368518246</id><published>2006-07-09T19:23:00.000-07:00</published><updated>2006-07-09T20:18:57.323-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>A Verdadeira Bruxa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À avalanche de asneiras ditas sobre a seleção, junto agora as minhas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu acho que o problema tem duas vertentes principais:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1. O Brasil não tem muito do que se orgulhar, e acaba depositanto muita ansiedade sobre a seleção. Brasileiro acha que Copa é uma guerra onde a honra e o valor da Nação serão afirmados ou negados. Esquece que futebol é esporte. Esquece que os jogadores são seres humanos. Os jogadores, uns baguais sem muita estrutura psicológica, acabam amarelando, sob tamanha pressão. Amarelaram em 98, amarelaram agora. Às vezes ganham a despeito disso, quando não são francos favoritos e têm uma trégua do cagaço, e/ou a tabela ajuda, botando a gente contra Turquia, China, Bélgica, etc, até a semifinal. Quando perdem, todo mundo cai de pau, também de maneira desproporcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Deve haver vários esquemas de favorecimento na escalação da seleção. Isso explicaria a longevidade do binômio Parreira/Zagalo e de outro, Cafu/Roberto Carlos. E a escalação da maior parte do time. Tem a história do dinheiro do Pita, empresário do Ronaldo, encontrado na conta do Parreira. Tem o fato do João Havelange ter sido o cara que inventou a rota futebolístico-comercial entre Brasil e Europa, quando moldou o futebol e a Copa na forma de um negócio bilionário. O cara botou o Ricardo Teixeira, seu genro, na CBF, enquanto tratou de comandar a FIFA e fez do Blatt seu sucessor. O Ricardo Teixeira a gente conhece.  Enfim, ficam armando condições de vender nossos talentos para os times endinheirados dos países endinheirados. Depois, têm que sustentar a fama desses jogadores, garantindo-lhes os holofotes da seleção. Isso sem contar as pressões dos patrocinadores, tanto da CBF quanto dos jogadores, individualmente.&lt;br /&gt;Pois bem, para tudo isso funcionar, tem de haver a conivência da comissão técnica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando eu era criança, a primeira copa a que eu assisti foi a de 1974, e achei que havíamos enterrado o Zagallo; eu vi até o caixão dele, no protesto que houve na avenida principal, depois da atuação vexaminosa da seleção. E o cara reaparece como o "velho Lobo"! Vá se foder! O Galvão deve levar um cachezinho, também. E o Parreira, que beleza, preparador físico, técnico de Gana, depois de uma meia-dúzia de times, acaba tarimbado para ser o cara. Ninguém estranhou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí, os caras que estão na panela, tipo o Roberto Carlos, claro que são jogadores talentosos, mas também são produtos que têm de ser explorados. E devem para todos que os colocaram no esquema, empresários, CBF, patrocinadores, clubes, comissão técnica...&lt;br /&gt;Todos desejam longevidade ao esquema. Por isso, morrem de medo de sair da panela. A atitude de Roberto Carlos, principalmente, sempre foi essa: de mostrar a soberba de titular absoluto. Quando ele chacoalhava o pezinho, deitado na grama, no banco do jogo contra o Japão, estava querendo dizer isso: "daqui não saio, daqui ninguém me tira! Sou o fodão, no jogo que vem esses moleques saem e eu volto pro meu trono. Ninguém vai me mandar de volta para Garça", Araras, ou seja lá de onde ele veio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115249826368518246?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115249826368518246/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115249826368518246' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115249826368518246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115249826368518246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/verdadeira-bruxa-avalanche-de-asneiras.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115240765528261895</id><published>2006-07-08T17:49:00.000-07:00</published><updated>2006-07-09T17:58:28.463-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Som e fúria... significando nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro título seria: muito barulho por nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não consigo ler Shakespeare. Cada porra de monólogo me deixa meditativo demais pra seguir em frente. "Ser ou não ser"... "a vida é um espetáculo cheio de som e fúria, significando nada"... umas coisas muito basais, muito definitivas, muito sem saída.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem lê o cara e não se aflige, não leu. Eu não leio, e me aflijo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, eu li muito menos do que as pessoas em geral julgam que li. Logo aprendi que as pessoas não lêem, e que vale mais uma citação falsa com convicção do que a honestidade ignorante. Minto mais que menor em porta de boate. Invento dados, citando a fonte, que em geral é um veículo que existe. Mas já cheguei a inventar um certo Journal of Psychedelic Drugs. Faço misérias com o que leio em orelhas de livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já fui mais paranóico. Imaginava que um dia uma polícia intelectual qualquer bateria à minha porta, sabatinar-me-ia a respeito de Nietzsch, e eu sairia algemado de casa, direto para algum calabouço irrastreável. Inescapável, tipo "O Processo", de Kafka, que eu nunca li. Sentiu a mesóclise, lá atrás? É culpa, não é coisa de viado, não se preocupe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas cuidado ao sentir a mesóclise lá atrás, a vítima pode ser você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, esse vai ser o Blog. Desculpem qualquer coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115240765528261895?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115240765528261895/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115240765528261895' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115240765528261895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115240765528261895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/som-e-fria.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-30809448.post-115240540731663676</id><published>2006-07-08T17:36:00.000-07:00</published><updated>2006-07-08T17:36:47.323-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>yo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/30809448-115240540731663676?l=dimisound.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dimisound.blogspot.com/feeds/115240540731663676/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=30809448&amp;postID=115240540731663676' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115240540731663676'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/30809448/posts/default/115240540731663676'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dimisound.blogspot.com/2006/07/yo.html' title=''/><author><name>Dimi</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03762220523417021137</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
